Paradigma Sobrenatural

Divisão dos Paradigmas

Os paradigmas humanos dividem-se em dois macroparadigmas principais: o sobrenatural e o social. O paradigma sobrenatural subdivide-se em diversos outros paradigmas específicos. Compreender essa estrutura é essencial para analisar como as pessoas constroem suas crenças e interpretam a realidade.

Condicionamento Inicial à Crença Sobrenatural

As pessoas são condicionadas a acreditar no sobrenatural desde o nascimento, geralmente através da religião de sua família. Em países predominantemente religiosos, como o Brasil, esse condicionamento ocorre naturalmente quando alguém nasce em uma família cristã, umbandista ou espírita. Esse processo de aprendizagem é a base mais fundamental da crença sobrenatural.

Religiões e Paradigma Sobrenatural no Brasil

As principais religiões brasileiras — cristianismo, umbanda e espiritismo — apresentam paradigmas sobrenaturais que incluem conceitos como Deus, entidades, outras dimensões, céu, Nosso Lar e reencarnação. Todas essas crenças compartilham a noção de que existe algo além da realidade material e perceptível.

Desconstrução de Crenças no Caminho Esotérico

Pessoas que trilham caminhos esotéricos como magia do caos, thelema, hermetismo, taoísmo, budismo ou cabala tendem a desconstruir suas crenças religiosas originais. Essa desconstrução é necessária para que o praticante compreenda e domine o mecanismo de crença em si.

Medo da Morte como Fundamento

O medo da morte é o motivo mais básico e fundamental para a manutenção da crença sobrenatural. Esse instinto de sobrevivência é profundo na natureza humana, dificultando o lidar existencial com a própria finitude. O paradigma sobrenatural oferece conforto ao sugerir que a pessoa ou seus entes queridos continuarão existindo em outro plano ou reencarnarão.

Busca pela Justiça Divina

A crença no sobrenatural é reforçada pela esperança em uma justiça divina que não existe no mundo material. Vivemos em um mundo marcado por injustiças — pessoas nascem em pobreza, sofrem à toa e morrem sem compensação. A crença em entidades que ajudam, no karma, no céu ou no inferno oferece esperança de que as injustiças serão reparadas após a morte ou em reencarnações futuras.

Compensação do Sofrimento Terreno

O paradigma sobrenatural proporciona esperança de que o sofrimento vivido nesta vida será compensado em algum momento. A ideia de recompensa futura ou acesso a um local melhor após a morte — como o reino dos céus — torna mais tolerável o sofrimento presente. Isso mantém a mente em um estado de maior tranquilidade psicológica.

Preenchimento da Solidão e Carência de Proteção

Seres humanos são os animais que mais demoram para amadurecer e se tornarem independentes, permanecendo sob cuidado parental por vinte a trinta anos. Após essa período, as pessoas sentem necessidade de buscar entidades divinas que preencham o vazio deixado pela ausência de figura parental. Essas entidades funcionam psicologicamente como protetoras que cuidam do indivíduo mesmo na vida adulta.

Conforto Mental Versus Limitações Práticas

O paradigma sobrenatural funciona de forma eficaz para manter a estabilidade mental e emocional das pessoas. No entanto, em certos aspectos, pode ser limitante — por exemplo, quando leva alguém a aceitar o sofrimento presente baseado na ideia de pagamento de dívidas cármicas de vidas passadas, impedindo que viva plenamente sua vida atual.

Questões de Julgamento e Autoculpa

A crença sobrenatural pode levar à autoculpabilização, onde a pessoa acredita que o universo está contra ela ou que Deus não a aprova. Essa perspectiva pode resultar em interpretações de que ações em vidas passadas estão gerando consequências negativas no presente, criando um ciclo de culpa e resignação perante as dificuldades.

1 Comentário

  1. Que video! Sou um paiconauta nato, desde criança quando ainda frequentava o terreiro de Candomblé da casa da minha mãe de sangue, eu cismava com algo. Existia no meu sistema de crença uma barreira que nao me permitia acreditar que aquilo era algo sobrenatural, eu via como uma ligação mental entre vontade e crença. Conforme fui crescendo e me aprofundando no ocultismo, fui perdendo a graça da “piada”, não sei em qual ponto da minha vida eu perdi a graça de acreditar. Todos os meus estudos são 90% prático e 10% teoria, e acabei chegando ao ponto que todas as manifestações “sobrenaturais” são apenas uma projeção da nossa vontade, lembranças boas ou traumas. Portanto, a crença é de fato um jogo de piadas onde o erro acredito eu é, ir atrás do entendimento dessa piada.

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