Conheci a Magia do Caos em 2004, fruto de um primeiro contato com o satanismo, causado por pura curiosidade. Como minha fonte de estudo era o único site que tinha um bom conteúdo na época, o Morte Súbita, foi inevitável ter contato com vários outros sistemas mágicos. Mas o que mais me chamou atenção na época foi a Magia do Caos.

Ainda que não fosse um adepto e nem buscasse por iniciação, eu fiz o que qualquer adepto faria, li tudo que tive acesso sobre esse “sistema mágico” e fiz variados experimentos. Geralmente minhas práticas se resumiam a sigilização, mas o mais importante foi a mudança interna que a filosofia da Magia do Caos me proporcionou.

Minha primeira magia consciente, antes mesmo de conhecer o caoísmo, foi fazer uma ficha de RPG com todas as habilidades que eu queria e que julgava ser possível obter em um par de anos. Foi uma surpresa achar essa ficha um pouco depois e descobrir que eu tinha conseguido. Não por acaso construí meu próprio sistema mágico interno baseado em Mago A Ascensão e Mago O Despertar, que para mim eram mais completos do que os preceitos comuns que se vê nos livros específicos de Magia do Caos.

Muitos procuram na magia a facilidade, a mudança de fatores externos, dinheiro, poder, aniquilar inimigos e demais questões que tentam influenciar o mundo material. Para mim, salvo raras exceções, ela sempre serviu para uma única coisa: o auto-desenvolvimento. É sob o prisma desse paradigma que resolvi escrever. Eu fiz minha jornada e aqueles que quiserem seguir a jornada do auto-desenvolvimento terão, aqui no Caotize-se, as ferramentas necessárias.

desconstrução

A minha desconstrução começou muito cedo, aos 13 anos, através de um livro chamado O Infinito Poder da Mente. Foi nessa época que comecei a me interessar por magia, e li livros sobre clarividência, espiritismo, poder das palavras e outros sobre poder da mente (hoje seriam conhecidos como lei da atração). Foi uma época interessante pois eu não tinha nenhuma maturidade, como qualquer adolescente dessa idade, no entanto mudou algo em mim, não racionalmente, claro, mas só de ter tido acesso a uma outra versão da “verdade” eu consegui começar a me libertar.

Não havia nada demais nesses livros (eram bem ruins, inclusive), no entanto eu comecei a questionar o motivo pelo qual eu acreditava no que acreditava. O motivo pelo qual eu torcia para o time que torcia. O motivo pelo qual eu odiava certo político, sem nem fazer ideia de como a política funcionava.

Ou seja, eles abriram para mim a porta mais importante que um aspirante a magista deveria abrir: A Porta do Questionamento.

Me tornei um adolescente irritante, afinal eu não aceitava mais nenhuma verdade que não me fosse muito bem explicada, e foi assim que escolhi outro time de futebol e, posteriormente, abandonei essa paixão brasileira completamente. Em seguida já questionava o cristianismo até abandoná-lo completamente e depois abandonei também os preconceitos políticos a qual tinha sido condicionado.

Com o passar dos anos eu questionei a própria sociedade. Por quê deveria estudar? Por quê deveria encontrar alguém para namorar? Por quê teria que seguir uma profissão? Por quê o dinheiro tem valor? Por quê o mundo funcionava dessa forma e não de outra? Por que temos que viver nesse sistema político/econômico e não em outro? Por quê eu sou do jeito que sou?

São muitas e muitas questões e eu já sabia a resposta parcial: As coisas são como são pois as pessoas continuam seguindo tudo que lhes é passado de forma completamente irracional, sem questionar nada, querendo apenas encontrar seu lugar nesse mundo. Praticamente estamos vivendo o mesmo experimento de sempre, o dos macacos e a escada.

O Auto-Conhecimento

No ensino médio tive um novo contato com a magia, assim como também tive meu primeiro contato com o RPG, a filosofia e a psicologia. As questões permaneciam enquanto eu começava a conhecer ferramentas para conseguir responder algumas delas, mas o mais importante era conseguir sempre fazer novas perguntas.

Apesar de não ter escolhido de fato o caminho a percorrer, felizmente me foquei na pergunta que me parecia a mais importante: Por quê sou quem eu sou?

Destrinchei por anos os vários fatores externos que ditaram o rumo de minha vida, inicialmente de forma mais bruta, afinal eu ainda não tinha muito conhecimento, mas posteriormente, através do estudo da filosofia e psicologia, pude entender mais ou menos como eu funcionava. Outro divisor de águas foi o blog Você não é tão esperto quanto pensa, que me mostrou vários das dezenas de vieses cognitivos que funcionam em segundo plano, praticamente sem que possamos fazer nada quanto a eles, um pouco de biologia e neurologia também foram essenciais para entender que além de tudo, a química cerebral desempenha um papel importantíssimo no que nós consideramos como “Eu”.

Se tornando quem se quer ser

Por algum tempo segui a célebre frase de Nietzsche: Torna-te quem tu és.” No entanto ela me limitava, pois eu já havia conseguido ser quem eu era (ou aceitar quem eu era), e isso depois de me despir de tudo que tentaram me tornar. O que eu precisava era uma ideia bem clara sobre o que eu queria ser, foi com essa ideia que eu criei a ficha de RPG, que funcionou bastante bem na época.

Mas para saber qual seria a melhor versão de mim mesmo eu tive que estudar muito, tive que criar um novo personagem nesse grande jogo que é a vida. Claro que eu precisava de mais ferramentas, a psicologia e filosofia davam uma base, mas também estudei cabala, hermetismo, thelema, gnosis e voltei para as ciências com mais psicologia, biologia, neurologia, teoria da comunicação, etc.

Nunca tive nenhuma ilusão sobre iluminação através de fatores que não estivessem sob meu controle, e por isso tive que estudar muito, não só a mim. Auto-conhecimento tinha sido minha melhor arma desde sempre, mas expandi para o conhecimento geral do ser humano e do funcionamento da sociedade.

A desconstrução foi meu primeiro foco mágico, o conhecimento sobre o ser humano foi se acumulando e no fim das contas a conclusão final era que não somos seres racionais de fato, somos como autômatos biológicos que não tem absolutamente nenhum controle sobre si, muito menos sobre o mundo. Foi inevitável trilhar pelo caminho do determinismo ao perceber que o livre arbítrio é uma ilusão.

Despertar então passou a ter um conceito mais simples: ter controle sobre si mesmo, adquirir o livre arbítrio real, conseguir superar o automatismo biopsíquicosocial.

Caotize-se

Esse site nasceu com essa ideia, a mesma ideia de variados outros, mas apresentando uma outra formula. Desconstrução, auto conhecimento, conhecimento de mundo e despertar, são caminhos que vários sistemas mágicos e não mágicos se utilizaram ao longo de milênios para tentar libertar o ser humano dessa prisão. A ideia é sempre a mesma, o que mudam são as ferramentas.

Vivemos a era com mais conhecimento acumulado em toda a história e, o mais importante: todos podem ter acesso a todo tipo de conhecimento. Hoje você não precisa entrar em uma ordem mágica burocrática e hierárquica para galgar novos níveis, hoje nós podemos nos auto iniciar em praticamente qualquer sistema mágico.

A Magia do Caos já nasce com essa ideia de revolução, já se posiciona contra o segredo, contra a hierarquia, contra a ideia de que é preciso ser levado pela mão. Temos o poder de fazer nossa própria auto iniciação e sermos causadores de nosso Despertar. Caotizar-se é apenas um passo de uma caminhada que não tem fim.