Prefácio Editorial

O 777é um dicionário cabalístico de magia cerimonial, misticismo oriental, religião comparada e simbologia. Também é um manual para a invocação cerimonial e para a checagem da validade de sonhos e visões. É indispensável para aqueles que desejam correlacionar estes estudos aparentemente diversos. Foi publicado privadamente por Aleister Crowley em 1909, por muito tempo esteve esgotado e agora é praticamente inencontrável.

Crowley, que tinha uma memória fenomenal, o escreveu em Bournemouth em uma semana sem quaisquer livros de referência – ou assim ele declarou em uma seção inédita de seu “Confissões”. Ele não é, no entanto, completamente original. Noventa por cento do hebraico, das quatro escalas de cores e da ordem e da atribuição dos trunfos do Tarô estão da forma que eram ensinados na Ordem Hermética da Aurora Dourada com seu círculo interno da Rosa de Rubi e da Cruz de Ouro (R.R. et A.C.).

Essa Ordem ainda existe, embora tenha mudado seu nome e esteja dormente, pois ela já não aceita mais probacionistas.

Foi a fonte principal de onde beberam Crowley e W. B. Yeats nos seus vinte anos. Nesta escola eles aprenderam o simbolismo tradicional ocidental que tanto coloriu sua poesia e pensamento. Nela lhes foi ensinado magia cerimonial, como usar a vidência e a técnica para explorar os reinos mais sutis da mente no assim chamado “plano astral”.

Crowley, contudo, não se contentou com os ensinamentos tradicionais cabalísticos de sua Ordem Hermética ocidental com seu estresse sobre a magia e a demonologia. Ele viajou para o oriente, se tornando um razoável estudioso do árabe e estudando a tradição secreta maometana com um professor qualificado no Cairo. Seguindo para a Índia, aprendeu as bases do Yoga Śaivita aos pés de Sri Parananda, que era Procurador Geral do Ceilão antes de se tornar um sādhu. No sul da Índia ele estudou o Vedanta e o Raja Yoga com o “Mahatma Jnana Guru Yogui Sabhapaty Swami”. Desta forma ele estava qualificado a equiparar os sistemas hindu e cabalista.

Allan Bennett, seu amigo e instrutor na Aurora Dourada, se tornou o budista birmanês Bhikkhu Ananda Metteya. Crowley estudou com ele tanto no Ceilão quanto na Birmânia, e assim foi apto a adicionar as colunas sobre Budismo Hīnayāna ao 777. Embora tenha caminhado mais para o oriente até a China, ele nunca encontrou um professor qualificado de Taoísmo ou I Ching. Suas atribuições dos trigramas à Árvore da Vida e sua explicação dos hexagramas no Apêndice I do 777 se baseiam na tradução de Legge.

Crowley tinha 32 anos de idade quando escreveu o 777. Mais tarde, conforme seu conhecimento e experiência se ampliavam, ele se tornou cada vez mais insatisfeito com ele. Ele planejou uma edição ampliada que corrigiria alguns erros, incorporaria muito material novo e deixaria o todo alinhado com O Livro da Lei. Ele trabalhou nisto nos anos de mil novecentos e vinte, mas nunca terminou. O que ele concluiu é publicado aqui — a maioria pela primeira vez. A tarefa de edição se restringiu na maior parte à omissão de notas incompletas. O material novo, que está marcado com um asterisco no Índice, consiste de um ensaio sobre o alfabeto mágico, uma breve nota sobre a Cabala e uma nova teoria sobre os números. Então as colunas mais importantes da Tabela I são explicadas. Estas explicações incluem algumas correções e certa quantidade de adições importantes à Tabela original. Aqueles que desejarem trabalhar com estas Tabelas deveriam extrair as adições do texto, e adicioná-las às linhas adequadas da coluna relacionada.

Finalmente, algumas novas colunas e “arranjos” foram inclusos, parte de O Livro de Thoth e parte das notas manuscritas na cópia do 777 do próprio Crowley. O editor assumiu que Crowley pretendia incorporar estes em sua nova edição. Para os poucos interessados na Gematria, os valores numéricos dos alfabetos grego e árabe foram adicionados.

Crowley nunca concluiu o 777 Revisado, mas deixou material suficiente para justificar sua publicação póstuma.

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