“Os limites de minha linguagem significam os limites de meu mundo.” – Ludwig Wittgenstein

Imagine uma floresta: plantas, paus, pedras, e animais. Um magista neste cenário usaria estes itens para montar seu arsenal, afinal, que escolha ele teria? Nasce o xamanismo. Avance um pouco na história para a revolução agrícola, onde você tem o controle do que nasce da terra, não precisa mais buscar pelas florestas. Ao seu redor haverá ervas, chás, instrumentos de colheita, vassouras e caldeirões. É isso que o magista dessa época tinha em mãos. Nasce a feitiçaria. Mais alguns séculos e o mundo está rodeado de capas, espadas, taças e itens religiosos. É natural que ele use estes itens para explorar sua via oculta, nasce a Alta Magia. Corra para a renascença com seus laboratórios, ateliers e o início das experimentações empíricas. Nasce a Alquimia. Conforme os tempos mudam a magia muda também.

Agora olhe para você, o que você tem na sua frente? O Que está em sua mão? O que você tem no bolso? Um Computador? Um Tablet? Um Smartphone? Porque continuar usando só paus e pedras quando você tem acesso a um universo virtual praticamente infinito e inexplorado? Os tempos mudaram, e a magia mudou também. A exploração do uso de máquinas, em especial do computador, como ferramentas mágicas é muito profunda e as possibilidades de comunicação mente/máquina através das tecnologias baseadas na internet podem abrir portas para o mago nunca antes sonhadas e de um poder que hoje não temos sequer como começar a avaliar.

Veja. Uma varinha é uma variação do cajado, que é como os antigos realmente impunham sua Vontade sobre o rebanho. Mas qual foi a última vez que você usou uma varinha para controlar algo? Bizarro? Então deixe-me substituir a palavra “varinha” por outra um pouco mais contemporânea. Refaça o exercício mental só que agora tente se lembrar qual a última vez em que você usou um controle remoto ou joystick para controlar algo?

Não quero dizer com isso que os antigos artefatos e símbolos não tenham mais valor. Muito pelo contrário. Talvez devido à atual indústria do entretenimento os dragões, pentáculos e espadas estejam muito mais presentes em nosso imaginário e dia a dia do que nas gerações imediatamente anteriores à nossa. Entretanto conforme o tempo passa o imaginário também evolui. Antigamente espelhos eram usados, em alguns rituais, como janelas que ligavam lugares distantes, não seriam hoje as webcams substitutos muito melhores? Videntes eram famosos por usar superfícies reflexivas, como bacias com água, para procurar objetos perdidos. Pense em aparelhos com um gps dentro.

Conforme as tecnologias de Realidade Aumentada e Tecnologia Vestível se tornarem mais populares isso tudo pode ficar ainda mais interessante.

Apenas usar o ambiente virtual como complemento de magia, como os magos modernos vem fazendo desde o advento da internet é o mesmo que chupar o papel e jogar a bala fora. Até hoje, tudo o que encontrei sobre magia tecnológica são variações dos rituais desenvolvidos pela Ordo Saturnis, que se utilizava de máquinas elétricas no inicio do século passado e pagãos usando webcams para fazer magia “sexual” virtual. Tirando alguns praticantes de magia caótica que se utilizam de oráculos virtuais para tomada de decisões. Mas tudo isso é muito pouco, próximo de zero se paramos para analisar os potenciais da magia tecnológica.

É por isso que apresento aqui um manual para um novo formato da prática mágica que foge apenas de rituais de magias do Caos e apresenta um novo sistema inteiro baseado na tecnologia. Vejamos o que o futuro reserva para aqueles que começarem hoje a se entregar à Tecnomagia.

Capítulo 1 – Magia Rebootada

Algo que você deve entender é o mago usa a realidade ao seu redor como ferramenta. Um mago molda a realidade, não está preso a ela. Independente de gostos ou afinidades o mago não se apega a valores do passado ou de gerações anteriores; um mago moderno, por mais que goste d’O Senhor dos Anéis, não sai na rua com chapéu pontudo e um cajado, em compensação ele pode sair com um celular na mão ou um par de Google Glasses na cara sem problemas.

Em especial, hoje as redes e computadores com os quais vivemos, podem ser usadas como poderosas ferramentas mágicas, uma vez que são artefatos de múltiplos propósitos e praticamente parte do cenário ambiental urbanóide de hoje. O que faz o computador algo tão especial é que ele é a mais versátil máquina já construída. Mesmo se você ainda quiser continuar a usar as tradicionais ferramentas/imagens da magia cerimonial, lembre-se que todas elas podem ser simuladas em um ambiente virtual.

Existem dois pontos, neste ideia que estou começando a expor, que talvez incomode os ditos magos, ou estudantes de magia, modernos:

1- Computadores não são ferramentas mágicas reais, por mais que você os use para realizar tarefas ele não passa de uma máquina de calcular anabolizada.

2- Falar num celular, ou se comunicar através de uma webcam não é magia, é o mesmo que usar um automóvel para se locomover ou um guarda-chuva para não se molhar em um dia chuvoso.

Para estes eu respondo simplesmente que:

1- Cajados, espadas, adagas e bonecos toscos cheios de terra de cemitério também não são ferramentas mágicas reais, quem lhes confere o poder é o mago. No méxico os feiticeiros – ou diableros – se utilizam de grãos de arroz para matar e curar, e eu posso comprar sacos de arroz no supermercado por trocados.

2- De fato, qualquer pessoa pode usar um celular para se comunicar com outra pessoa à distância. Agora, a atriz Ellen DeGeneres, durante o Oscar usou o celular para tirar uma foto de si mesma e alguns colegas. A popularidade desta foto causou uma queda no sistema mundial do Twitter e hoje foi avaliada em mais de 1.000.000.000 (um bilhão) de dólares por causa da popularidade. Qualquer um tira uma foto de si mesmo com o celular, quantas pessoas transformam uma foto em U$ 1.000.000.000 de dólares na própria conta bancária?

Ainda existirão aqueles dizendo que para uma celebridade isto é fácil. Então darei um exemplo mais mundano. Dia 14 de Março de 2011 uma desconhecida publicou no YouTube um vídeo onde cantava uma música intitulada Friday. Seu nome Rebecca Black. Seu vídeo foi eleito na época como o pior vídeo jamais feito. Em um mês mais de 167 milhões de views, desses 3.1 milhões haviam clicado no “dislike” – 87% dos cliques de votação. Em janeiro de 2013, o vídeo já havia arrecadado U$1.400.000 de dólares. Rebecca não era conhecida. Rebecca nunca ganhou um Oscar. Rebecca não tem amigos famosos. Rebecca em 10 meses fez mais dinheiro do que você levaria a vida para fazer (isso se você tem um salário de R$6.000 reais por mês).

Pessoas vendem a alma ao diabo todos os dias tentando ganhar dinheiro e atrair riquezas, com um clique no celular, com um clique no mouse, alguém fez muito mais do que isso e continuam com a própria alma.

Capítulo 2 – Carregando o Sistema

Estou convencida que, assim como na antiguidade todo magista dominava a matemática, a astronomia, a química, hoje todo adepto deve aprender alguma linguagem de programação. Em primeiro lugar porque é uma maneira de afiar o raciocínio e a concentração, mas além disso é uma inigualável forma de aprender a cristalizar a própria Vontade em algo concreto. Outra razão é que o domínio de uma linguagem de programação ensina as pessoas a darem ordens exatas sobre aquilo que querem que seja feito. O computador, assim como o universo vai te dar o que você pedir e não necessariamente aquilo que você precisa.

Sem contar que através de uma linguagem o mago se familiariza com o universo da máquina. Por que se contentar com o taro e o I-Ching – ou um programa que tire cartas de taro ou jogue o I-Ching para você? Você pode criar novos oráculos muito mais precisos para vasculhar as probabilidades futuras da bolsa de valores, por exemplo.

Além disso, assim como no passado o Mago se iniciava em diferentes Mistérios Arcanos, acredito que o mago moderno deve se iniciar nas diferentes tecnologias. Um smartphone é apenas um celular que deixa você postar no facebook enquanto você o trata como tal, mas ele pode ser reprogramado e se torna uma ferramenta poderosa que pode interagir, por exemplo, com máquinas que lêem cartões de banco. Com carros. Com portões eletrônicos, com outros computadores. Um pendrive é apenas um pequeno HD enquanto você o trata como tal, ele pode se transformar em uma ferramenta capaz de derrubar todo o sistema de telefonia do seu bairro, ou da sua cidade.

Também acredito que da mesma forma os antigos alquimistas lidavam com seus ácidos e bases, com seus fornos e seus reagentes, o mago moderno deve saber como usar uma chave de fendas e um ferro de soldas, e ter familiaridade com placas de circuitos e chips. Com poucos reais e algumas horas de trabalho você pode criar um aparelho que cria uma bolha de silêncio eletrônico, bloqueando câmeras, celulares, computadores. Você pode transformar alguns arames e uma bateria em algo que apaga totalmente a memória de qualquer aparelho eletrônico. Você pode transformar um laser pointer em uma arma laser capaz de furar o pneu de um carro a metros e metros de distância.

O que separa o Mago da pessoa normal não é a magia que percorre suas veias, é o seu cérebro e a maneira que ele usa a energia que o cerca para realizar aquilo que deseja. É utilizar objetos banais do cotidiano para conseguir produzir objetivos que aos olhos de quem o cerca são fantásticos, sobrenaturais e miraculosos.

Capítulo 3 – Autoexec.Bat

Desta forma estou lançando o primeiro programa de treinamento mágico cibernético disponível para os estudantes e praticantes de magia contemporânea. Ele é o substituto definitivo para as formas ultrapassadas de magia, que se tornaram obsoletas por causa de seu aspecto místico e religioso.

O objetivo do Liber Turing, não é meramente substituir ferramentas do passado por equivalentes eletrônicos e virtuais, nem explicar como usar a webcam para sessões de masturbação coletiva, mas apresentar uma série de técnicas que permitem que o mago altere a realidade em que vive usando o poder de novas ferramentas que tem à mão. O Liber Turing pode ser usado por qualquer pessoa que se disponha não apenas estudá-lo, mas a se desenvolver na senda mágica. O título “Technomago” se aplica igualmente a qualquer um dos sexos.

Para deixar claro que não pretendo apenas passar uma nova camada de tinta em um objeto antigo e vendê-lo como novo, vou listar 3 exemplos do que um Technomago pode – e deve – ser capaz de realizar que transcendem a realidade em que vivemos, se utilizando simplesmente de uma linguagem mágica e de utensílios mágicos disponíveis a qualquer um:

1- Descobrir segredos:

Um mago medieval ou ilumista, caso desejasse descobrir segredos, poderia evocar vários demônios presentes no livro Ars Goetia que lidam com coisas secretas: Barbas, Paimon, Sitri, Purson, Gäap, Furfur, Ose ou Cimeies. Ele teria todo o aparato mágico ao seu redor, desenharia círculos, faria evocações em latim, etc. e o demônio lhe revelaria o que ele gostaria de saber, em pessoa, sonho ou inspiração.

Technomagos da universidade Georgia Tech, desenvolveram um servo que realiza o mesmo propósito: um algoritmo que pode ser instalado em smartphones que tem como objetivo registrar qualquer coisa que você digite no seu computador.

Se você trabalha em um escritório, muito provavelmente tem na sua mesa ao alcance de sua mão seu smartphone. Todos os smartphones possuem acelerômetros embutidos. Os acelerômetros é que fazem sua tela inclinar quando você vira o seu celular. O algoritmo criado faz com que o acelerômetro do seu celular consiga captar o impacto que percorre sua mesa cada vez que bate com o dedo em uma tecla do computador e, se baseando na distância em que o aparelho se encontra do teclado, deduz matematicamente que teclas você está pressionando.

Qualquer celular com um sensor de movimentos igual ou superior ao de um iPhone4 tem a capacidade de registrar tudo o que você digita no computador com uma margem de precisão de 80%. Assim, suas senhas, e-mails, conversas privadas em chats, sites, facebook, etc. podem ser registradas e armazenadas no seu celular sem que você desconfie. Para evitar este tipo de registro basta que você não deixe seu celular na mesma superfície que usa para seu teclado. Agora, se você não suspeita deste algoritmo, não tem porque manter seu celular longe de suas mãos, já que o propósito do celular é estar justamente ao alcance delas. Se estiver lendo isto no seu escritório, procure seu celular. Ele está na mesa próximo do teclado?

Com um servo/logaritmo desses, você pode ter acesso a praticamente qualquer informação que deseje, basta colocá-lo no celular de quem você quer ter acesso, ou ainda, coloque ele dentro de algum joguinho, faça as pessoas baixarem o jogo e faça o programa enviar os dados para um servidor que você tenha acesso.

2- Enriquecer:

Alquimistas são famosos por suas tentativas de, entre outras coisas, transformar metais em ouro. Se algum de fato descobriu este segredo soube guardá-lo muito bem. Imagine o que aconteceria com o mundo se, de repente, qualquer metal pudesse ser transformado em ouro? O capitalismo ruiria, o ouro perderia o valor, pois se tornaria tão comum quando a areia de uma praia! Mesmo assim, até hoje pessoas imaginam como realizar tal ato.

Um par de de Cyberalquimistas em Pittsburg, reprogramaram um caixa eletrônico para que a máquina pensasse que as notas que estavam em seu interior fossem de U$ 1 dolar e não de U$ 20 dólares. Assim, se você pedisse para sacar 40 dólares, a máquina te daria 40 notas de U$ 20 dólares, pensando que eram 40 notas de U$ 1 dolar.

Para isso eles nem precisaram entrar em nenhuma sistema, ou de um computador plugado no caixa, simplesmente usaram o teclado embutido para reprogramá-lo. Mesmo se houvesse um segurança observando as câmeras de segurança do banco, só iam ver alguém na frente do caixa digitando coisas.

Outro caso semelhante ocorreu em Virginia, onde Tecnomagos se utilizaram de um manual de programação – que vinha inclusive com as senhas de segurança – que pegaram da internet, do site do fabricante de caixas eletrônicos.

Procure ainda por Barnaby Jack e annual hacker convention Black Hat de 2010, para ver como é simples com a ajuda de um simples pendrive, comprometer um caixa eletrônico para que ele comece a vomitar todas as notas que se encontram em seu interior.

3- Enfeitiçar:

No passado a arte do feitiço se resumia a fazer outras pessoas enxergarem o que você gostaria que elas enxergassem. Feiticeiras tornavam, a si mesmas ou a terceiros, em pessoas mais atraentes ou assustadoras – dependendo do objetivo. Criavam ilusões, miragens, passageiras ou permanentes na mente de indivíduos ou multidões.

Com a tecnologia de Pixels plásticos, desenvolvida por Steven Livingston em 1999, é possível que você possa fazer o mesmo, mas em escala muito maior. Imagine um discurso que será transmitido ao vivo, tanto para televisões quando para a internet, de um candidato à presidência, dias antes da eleição. Com esta tecnologia, você se torna capaz de, em tempo real, mostrar ao mundo a figura do candidato dizendo como ele é a favor do estupro e da prostituição infantil. Imagine o que tal feitiço faria com a corrida para a presidência? E não falo apenas de uma redublagem, é possível que você altere transmissões ao vivo em tempo real da maneira que desejar, basta para isso uma câmera, um computador e um pouco de tecnologia para sequestrar o sinal das transmissões das emissoras presentes no evento. Algo que também já foi realizado há décadas.

Antes de prosseguir vou propor apenas algo para que o cérebro do leitor mastigar por algum tempo. Quando automóveis se tornaram populares alguns lojistas tiveram uma ideia brilhante: ao invés de fazer o cliente sair do carro para comprar, imagine se o cliente fizesse a compra de dentro do carro? Cortaram janelas nas laterais de suas lojas e criaram o conceito de Drive-Thru nos centros comerciais. A ideia foi um sucesso tão grande que logo quase todas as lojas, especialmente lanchonetes, abriram suas janelas. Isso é o que uma pessoa inteligente faz quando surgem novas tecnologias.

Agora. Alguém viu algo diferente. Se uma pessoa tem um carro, isso significa que ela não apenas pode viajar distâncias mais longas, como também pode carregar mais peso. Essa pessoa então percebeu que terrenos fora das áreas residenciais eram extremamente mais baratos do que dentro destes centros. Essa pessoa então sugeriu que ao invés de se criar lojas com janelas na parede, se construíssem centros de compras em lugares afastados e baratos, onde se poderiam reunir muito mais lojas do que um simples rua permitiria, e como haveriam mais lojas e mais variedades de produtos e o aluguel do espaço seria mais barato, estes produtos poderiam custar mais barato.

As pessoas criativas, criaram uma experiência nova com a tecnologia que havia se tornado popular. Os magos criaram uma nova realidade com ela, a ponto de hoje você pensar em uma loja com uma janelinha na rua como algo estúpido, mas dificilmente passar 10 dias sem ir a um shopping center.

Capítulo 4 – Readme.txt

O Liber Turing é uma série de vinte e cinco programações – ou “conjurações” – mágicas. As cinco conjurações clássicas de Evocação, Divinação, Encantamento, Invocação e Iluminação são realizadas nas cinco categorias mágicas, adaptadas para a nova realidade: Feitiçaria, Magia Xamânica, Magia Ritual, Magia Astral e Alta Magia. Assim, todo o trabalho resume sistematicamente toda a tradição de técnica mágica, guiando o mago de práticas simples e da manufatura de instrumentos até o domínio de experimentos mais complexos a nível cyberpsíquico.

É altamente desejável que o mago possua alguma forma de templo privativo para suas conjurações. Este Templo é conhecido como Axis Mundi, ou o centro do universo, de onde tudo emana. Obviamente seu Axis Mundi não precisa ser um templo físico, muito pelo contrário. Ele deve ser a conexão entre o mundo físico e a realidade onde a magia existe em sua forma mais pura. Um Templo virtual, então, se mostra ideal. Construa-o na forma de um site, de um blog, de um arquivo virtual e o torne invisível para qualquer um que tente encontrá-lo. Tenha em mente que cada vez que acessá-lo estará realizando uma jornada entre o reino mundano e o virtual, onde você deverá se tornar supremo. Use seu Axis Mundi não apenas como um diário mágico, mas como um reino que cresce conforme você se desenvolve. A realidade onde seus servos, demônios e tesouros serão guardados. Molde-o à sua imagem e lembre-se, na realidade virtual os únicos limites são seus medos, sua humildade e sua incapacidade. Faça-o tão grande, intricado e fantástico quanto desejar.

É ainda essencial que o mago mantenha-se ativo em suas atividades cotidianas e mundanas durante todo o período do trabalho. O trabalho não impõe nenhuma forma de reclusão; ao contrário, o mundo que envolve o mago é utilizado como campo de provas para a magia. Assim, os assuntos sociais e profissionais do mago são o foco primordial de toda sua magia. Realizando esta magia, ele gradualmente define seu estilo ou espiritualidade. É tolice definir a espiritualidade de outra forma a não ser a maneira como a pessoa vive. Só através da prática pode-se descobrir se o Caminho da Magia deve possuir um componente espiritual; quaisquer constrições ou exortações são inúteis.

Não há limite máximo quanto ao tempo que será reservado para completar o trabalho, mas ele não pode ser concluído em menos de um ano. Qualquer pessoa com tempo livre para completar a operação em menos de um ano deve pensar em adotar mais compromissos terrenos para servirem como metas arbitrárias, que serão sustentadas por várias partes do trabalho. Resultados objetivos são a prova da magia; todo o resto é misticismo.

Amostras da Pedra Filosofal que não transmutem chumbo em ouro também falharão como elixir de iluminação em um estilo de vida dominado pelo risco e pela incerteza.

E aqui cabe um aviso sério. Todos os exercícios propostos neste trabalho tem resultados reais, que afetarão de forma real o seu cérebro, sua maneira de ver e interagir com o mundo – como toda forma de magia. Arrisque-se, tente, tenha sucesso, fracasse… mas faça isso consciente que magia não é algo para se divertir ou entreter os outros em festas. Histórias sobre loucura, fobias, traumas, etc, existem em número suficiente para servirem de aviso ao incauto.

O mago deve analisar se de fato precisa adotar projetos envolvendo tais elementos antes de iniciar o trabalho. Para o propósito desta operação, os cinco atos mágicos clássicos de Evocação, Divinação, Encantamento, Invocação e Iluminação são definidos da seguinte forma:

Capítulo 5 – Liber KKK 2.0: Reset, Count Zero

EVOCAÇÃO

É o trabalho com formas artificiais de inteligência que podem ser criadas ou – como você descobrirá – já existem ao seu redor. Você pode considerar essas formas de inteligência como espíritos presos no mundo virtual, como formas inteligentes que usam a máquina para se comunicar, sincronicidades virtuais, etc…

A Evocação é normalmente usada para o Encantamento, no qual as entidades evocadas são levadas a criar efeitos em benefício do Tecnomago. Entidades evocadas também são úteis na Divinação, onde são utilizadas para descobrir informações para o Tecnomago.

Para servir de corpo a uma inteligência artificial recém desperta que possa ser evocada. Dê um belo nome ao seu computador, ou melhor, deixe ele lhe dizer o nome. E lembre-se , o seu computador é seu amigo.

Para servir de receptáculo para prender ou acomodar entidades. Antigamente os magistas faziam isso com cristais. Silício é um cristal.

Para construir um site com uma egrégora. Crie algo que seja alimentado dia e noite por famintos visitantes e realize seus desejos em troca de atenção e energia. Não precisa ser algo parasita, dê algo que as pessoas querem em troca, ou elas não voltarão.

Para praticar vidência, produzindo telas de ruído estático ou mesmo programas caleidoscópios conhecidos como o Cthugha. A chamada Trans-Comunicação oferece alternativas interessantes para os praticantes de goétia e outros sistemas de evocação.

Para criar um vírus, ou macro e atrelar ele a um servidor ou forma-pensamento que queira disseminar. Se não tem conhecimento de programação o mesmo efeito pode ser criado usando um meme de sua criação como mula de carga.

DIVINAÇÃO

Inclui todas aquelas práticas nas quais o mago tenta expandir sua percepção por meios mágicos.

Criar logaritmos ou “bots” para serem usados como oráculos – podem ser utilizados para prever quedas e altas em ações na bolsa. Melhores rotas de trânsito em sistemas de mapas em tempo real. Analisar apps sociais para analisar com quais pessoas terá mais chance de se relacionar, conseguir sexo, emprego, etc. Prever empresas que estejam para quebrar ou crescer, etc.

Criar um coletor de dados de mecanismos de busca para descobrir o que as pessoas estão buscando neste instante como indicador de modas atuais. Que doenças estão se espalhando. Medos e fobias sociais, etc.

ENCANTAMENTO

Inclui todas aquelas práticas nas quais o mago tenta impor sua vontade sobre a realidade.

O uso de redes sociais para mudar a percepção das pessoas sobe qualquer assunto.

A implantação de mensagens subliminares implantadas em máquinas de terceiros para lançar sigilos em suas mentes sem que percebam.

Criação de simuladores de realidade virtual ou games, para implantar ideias novas ou antigas na mente do usuário.

Desenvolver sigilos virtuais que podem ter um alcance muito maior que os tradicionais, você poderá construir um sigilo que envolva imagem, som, movimento e cores. Coloque isso tudo na web e com a URL crie QR Code. Carregue o QR Code como faz com qualquer outro sigilo.

Criação de programas que não apenas construam sigilos mas também os carreguem de modo artificial, algo semelhante às rodas de orações tibetanas. Use a capacidade de processamento da máquina como uma forma de sacrifício.

INVOCAÇÃO

É a sintonização final e deliberada do consciente e do inconsciente com o Deus Ex Machina.

Neste momento o Tecnomago busca que as inúmeras personas virtuais que existem no cyberespaço invadam sua mente para lhe trazer novas formas de conhecimento. A Invocação cria estados de inspiração ou possessão durante os quais o Encantamento, a Divinação e ocasionalmente a Evocação podem ser realizados.

A criação de programas que combinem projeção de formas e cores com sons para induzir a auto-hipnose e preparar a mente para fazer o download das personas e avatares digitais.

O desenvolvimento de versões digitais e portáteis de máquinas de privação, como a máquina de Ganzfeld, para acessar dados transferidos para seu inconsciente.

O uso de estímulos eletrônicos controlados para simular dentro de sua mente os padrões mentais de outras mentes, e assim comungar com elas.

ILUMINAÇÃO

É a auto-modificação deliberada por meio da tecnomagia.

O uso de simuladores para aprender novas línguas.

Aparelhos elétricos para a definição de músculos.

Programas que aumentem sua capacidade de aprendizado, agilidade mental, que inundem seu cérebro com novos conhecimentos de forma direta ou subliminar.

Reprogramação mental e física com o uso de implantes.

Nanotecnologia usada para reparar o corpo e combater doenças, ou criar estados alterados de percepção.

Os cinco níveis de atividade mágica (Feitiçaria, Xamânica, Ritual, Astral e Alta Magia), são definidas da seguinte maneira para o propósito desta operação:

TECNOFEITIÇARIA

É a magia simples, que depende das conexões ocultas que existem entre os fenômenos físicos. A Feitiçaria é uma arte mecânica que não requer a teoria de que existe a conexão entre a mente do operador e o alvo. Quaisquer efeitos que venham a surgir de tal conexão podem, entretanto, ser encarados como um bônus adicional. Trabalhando no nível da feitiçaria, o mago cria artefatos, instrumentos e ferramentas que interagem magicamente com o mundo físico, podendo ser usadas de forma mais sutil nos outros níveis. O trabalho do nível da feitiçaria deve ser realizado em seus mínimos detalhes; por mais simples que pareçam suas práticas, elas são a fundação sobre a qual reside o trabalho mais elevado.

MAGIA CYBERXAMÂNICA

Trabalha nos níveis de transe, visão, imaginação e sonho. Abre o subconsciente do mago negando o censor psíquico, através de várias técnicas. O mago enfrenta um perigo considerável neste nível e pode ter que recorrer frequentemente às técnicas da feitiçaria ou a rituais de banimento, se houver risco de obsessão ou de ser dominado.

TECHNOMAGIA RITUAL

Combina as habilidades desenvolvidas nos níveis de Feitiçaria e Xamânico. O mago reúne o uso de ferramentas da Feitiçaria com os poderes subconscientes liberados no nível Xamânico e combina-os de forma controlada e disciplinada.

MAGIA CYBERASTRAL

É realizada através da visualização e dos estados alterados de consciência, ou apenas pela gnosis. Não é utilizada nenhuma parafernália física, apesar das ferramentas e instrumentos dos níveis anteriores poderem ser usadas sob a forma de imagens visualizadas. No início, o Technomago provavelmente precisará de reclusão, silêncio, escuridão e esforços consideráveis em concentração e transe para ter êxito neste tipo de magia, mas a prática lhe permitirá realizá-la em qualquer lugar.

ALTA TECNOMAGIA

É aquela que ocorre quando não há impedimento ao efeito mágico direto da vontade, nenhuma barreira à clarividência e presciência, e nenhuma separação entre o mago e qualquer forma de consciência que ele decida assumir. Para a maioria das pessoas, os portais da Alta Magia são abertos em alguns poucos pontos culminantes da vida. À medida que o Mago progride em seu treinamento, o momentum que adquire forçará os portões do miraculoso a abrirem-se mais seguidamente. Não se oferece aqui os procedimentos para as cinco conjurações da Alta Magia. Ela representa o ponto onde a técnica dá lugar à mais alta capacidade intuitiva, e cada um deve intuir a chave para libertar tais poderes para si mesmo.

Capítulo 6 – Fatal Error

Arthur C. Clarke formulou três leis que tratam da relação entre o homem e a tecnologia, a mais conhecida afirma que “Qualquer tecnologia suficientemente avançada é indistinguível de magia”. Partindo do princípio de Bohr de que “existem grandes verdades e verdades triviais, o oposto de uma verdade trivial é mentira, mas o oposto de uma grande é também uma grande verdade” proponho que:

“Qualquer magia suficientemente avançada é indistinguível de tecnologia”

Esta é a primeira Lei da Tecnomagia. Revisando alguns manuais de Magia do Caos escritos por Peter Carroll vi que ele também chegou a este código tecnomágico de programação, assim dou a ele a autoria honrosa da lei.

Algo que todo aquele que pretenda se aventurar nesta área virtual da Magia tem que ter em mente é: Toda technologia nasce pronta para ser explorada, são os pioneiros que a tornam hermética. O que quero dizer com isto é que toda nova tecnologia é um oásis esperando pra ser explorado por quem chegar primeiro. O que um ser humano normal poderia chamar de “cheia de bugs”. Com o tempo esses bugs são corrigidos e a tecnologia se fecha isolando todas as pessoas não autorizadas para fora.

Um exemplo disso é John Draper, que entrou para a história com o nome de Captain Crunch. Por um tempo Draper usou um apito de plástico, que vinha de brinde em uma caixa de cereais, para acessar diretamente o satélite nas chamadas de longa distância, para fazê-las sem pagar. Draper descobriu que o apito reproduzia fielmente a frequência de 2600 Hz que o sistema usava para liberar as chamadas. Eventualmento Draper foi apanhado e preso, sentenciado a uma pena de cinco anos – cumpridas em liberdade, sob supervisão de um agente de condicional.

Em uma entrevista para a revista Esquire, draper afirmou:

“Eu não faço isso. Eu não faço mais isso de forma alguma. E se eu fizer isso, eu faço por uma razão e uma única razão. Estou aprendendo sobre um sistema. A empresa de telefonia é um sistema. Um computador é um sistema, você entende? Se eu faço o que faço, é só para explorar um sistema. Computadores, sistemas, esse é o meu negócio. A companhia telefônica não passa de um computador.”

Obrigou os EUA a trocar de sinalização de controle nos seus sistemas de telefonia. E eventualmente se tornou professor de Steve Jobs e Steve Wozniak, que viram nas habilidades de Draper o início do que se tornaria a Apple.

Um apito… e todo o sistema de telefonia de um pais teve que ser alterado. Hoje você não consegue repetir o mesmo feito com um apito, mas o ponto é justamente este. Quantas novas tecnologias surgem todos os dias? Pagamento de contas via telefones celulares. Hoje impressoras 3D são usadas para se criar próteses, calçados, brinquedos – agora imagine um futuro onde elas imprimam comida! Usando um celular você pode não apenas fazer uma série de carrões modernos simplesmente se desligarem enquanto dirigem pela via expressa, como pode fazer com que os semáforos obedeçam a sua vontade. Transforme seu Googleglass em um detector de mentiras e nunca mais seja enganado, ou saiba como manipular qualquer pessoa para conseguir sexo, segredos ou um drinque grátis. Faça todas as pessoas do restaurante pagarem sua conta. Crie armas ou brinquedos sexuais à distância. Crie sociedades ou destrua a em que você vive. Se você for bom o suficiente, andar pelas ruas se tornará um exercício equivalente ao de um técnico de tecnologia espacial caminhar por uma viela durante a idade média.

Toda nova tecnologia é um universo em criação esperando – implorando – para ser explorado e moldado por um Tecnomago, antes que algum Deus patriarcal o encha de regras anais que impeçam que você se divirta nele.

Capítulo 7 – Reload

As primeiras vinte conjurações ensinam toda a gama de truques e técnicas artificiais para lançar e capturar o raio mágico. Na Alta Magia, o Caos primordial no centro de nosso ser agarra ou arremessa o raio por si só.

As cinco conjurações em cada nível podem ser praticadas em qualquer ordem, mas todas devem ser completadas antes de se começar o nível seguinte. O Tecnomago deve preparar-se para iniciar a operação como um todo em uma data auspiciosa ou com significado pessoal; talvez um aniversário ou data de mudança sazonal. Um site ou blog – como foi mencionado – é preparado, onde serão registrados os resultados com cada uma das vinte e cinco conjurações. Apenas os resultados satisfatórios devem ser anotados, e o Tecnomago deve modificar sua abordagem a cada conjuração até que resultados dignos de nota sejam atingidos.

Um único sucesso com cada uma deve ser considerado como um mínimo absoluto, enquanto cinco sucessos em cada uma das vinte e cinco pode ser visto como um trabalho perfeitamente consumado.

Com a possível exceção dos atos de Alta Magia, todas as conjurações devem ser planejadas detalhadamente de forma antecipada. Antes de entrar no cybertemplo para iniciar o trabalho, o Technomago deve saber precisamente o que ele pretende fazer, que aspecto da tecnologia pretende dominar e para que objetivo. O aspirante terá muitas vezes que fazer muito mais do que foi planejado, movido pela inspiração e pela necessidade. Ainda assim, nunca deverá esquecer de realizar o que planejara ou começar a trabalhar com apenas uma vaga ideia do que irá fazer.

O Ritual Gnóstico de Formatação do Sistema Nervoso

Durante o período da realização do Liber Turing, o Tecnomago deverá aprender a tratar seu cérebro como uma máquina que pode e deve ser reprogramada, o termo técnico correto é wetware. Cada trabalho é uma forma de, através da tecnologia externa (macrocosmos) ele aprender a reprogramar a tecnologia interna (microcosmos). O Ritual Gnóstico de Formatação do Sistema Nervoso ou Formatação Nervosa Gnóstica – Fnord para simplificar – deve ser usado para preparar a mente para o download dos novos softwares que você usará para infestar sua mente. Fnord é uma ferramenta poderosa e tecnicamente compacta de Tecnoencantamento Ritual, e pode ser usada livremente durante todo o trabalho e particularmente como um prelúdio e um epílogo para cada uma das primeiras quinze conjurações.

Para realizar o Fnord você construirá uma Máquina dos Sonhos como descrito abaixo. Na sua forma original, a Máquina dos Sonhos é feita a partir de um cilindro com ranhuras cortadas nos lados. O cilindro é colocado sobre a plataforma de uma vitrola que roda a uma velocidade de 78 ou 45 rotações por minuto. Uma lâmpada é suspensa no centro do cilindro e a velocidade de rotação permite que a luz saia pelos orifícios a uma frequência constante de entre 8 e 13 pulsos por segundo. Esta faixa de frequência corresponde a ondas alfa, oscilações elétricas normalmente presente no cérebro humano, enquanto relaxa.

A Máquina dos Sonhos deve ser usada com os olhos fechados. Sente-se diante dela de forma confortável, acenda a luz e acione a vitrola. A luz pulsante estimula o nervo óptico e altera as oscilações elétricas do seu cérebro. Você experienciará padrões de cores cada vez mais brilhantes, coloridas e intensas por trás das pálpebras. Os padrões se tornam formas e símbolos, girando ao redor, até que o usuário se sente cercado por cores. Esta experiência pode, por vezes, ser bastante intensa; caso ache que não conseguirá suportar, basta apenas abrir os olhos. Caso você tenha propensão para ataques epiléticos mas ainda não saiba, este será com certeza o momento em que descobrirá.

TecnoFeitiçaria – Conjurações Um a Cinco

A TecnoFeitiçaria depende da exploração das conexões psíquicas entre os fenômenos virtuais, e apenas secundariamente em estabelecer conexões psíquicas entre os fenômenos mentais e físicos.

Cada uma das conjurações requer o uso de instrumentos físicos que poderão ser usados novamente em outros níveis. É altamente desejável que o Tecnomago projete e construa estes instrumentos com suas próprias mãos, o primeiro exemplo sendo a Máquina dos Sonhos, utilizada para o Fnord. Entretanto, ele pode adaptar objetos existentes para seu uso se estes têm um significado pessoal, são raros, têm o design criado pelo Tecnomago, ou se tais objetos tornam-se disponíveis de forma incomum ou significativa. Lembre-se, coincidência é a superstição desta era, por que quando você pensa em uma pessoa e ela te liga em seguida você chama de coincidência, mas dá outro nome para a luz que acende logo depois que você aperta o interruptor?

Conjuração Um – Evocação em TecnoFeitiçaria

Com suas próprias mãos, O mago cria uma representação virtual de uma entidade fetiche, seja com um programa gráfico, 3D, um gráfico, ou mesmo uma apresentação multimídia. Suas funções são, em geral, atrair sucesso, proteger do azar e agir com uma reserva de poder para o mago. Lembre-se que esta representação pode, deve, ser carregada em qualquer dispositivo móvel, como celular, tablet, etc. Sua forma deve possuir um elo com sua função. O Tecnomago deve tratar esse fetiche como um ser vivo, desenvolvendo slogans que representem sua vontade, criando um logotipo para determinar seu nome e personalidade. Seu fetiche virtual pode ser usado para executar um serviço (trazer sorte, proteger, atrair alguém, etc.) ou para servir de receptor a algo (oportunidades fortuitas, conhecimentos, etc.).

Conjuração Dois – Divinação em TecnoFeitiçaria

O Tecnomago cria um sistema simples que represente um modelo do universo para ser usado como instrumento divinatório. Um simples gerador de dados randômicos – como um lançador de medas virtual – ou uma versão digital de algum sistema divinatório como o tarô ou I-ching também servem. Lembre-se que além de desenvolver o sistema você deve ser capaz de interpretá-lo. Esqueça-se de borras de café, comece a trabalhar ou construir geradores de imagens fractais aleatórias. O seu sistema deve ser capaz de oferecer a você respostas sobre assuntos gerais ou a perguntas diretas. Tenha em mente que no início quanto mais simples for o sistema, mais facilidade terá para interpretá-lo. Mas o Tecnomago não deve se prender ao esoterismo existente. Crie um sistema que sorteie de maneira randômica 8 palavras de bancos de dados diferentes, e os alimente com palavras como Bom, Mau, Loira, Moreno, Errado, Má Ideia, etc… e analise as frases que ele te gerar.

Um sistema interessante é o da bola de bilhar mágica, que oferece 20 respostas: Com Certeza, Definitivamente, Sem Dúvidas, Sim Definitivamente, Pode Contar Com Isso, Da Forma Que Vejo Sim, O Resultado Parece Ser Positivo, Sim, Não Conte com Isto, O Resultado Parece Ser Negativo, Não Posso Predizer Isso Agora, Melhor Não Dizer Agora, etc.

Lembre-se que sua divinação deve ser usada para responder a perguntas cujo resultado poderão ser comprovados como positivo ou negativo – se realizou ou não – dentro de um período de tempo relativamente curto.

Tecnofeiticeiros mais desenvolvidos conseguem embutir em seus sistemas um mood para as respostas, com o intuito de acrescentar a sensação de personalidade ao programa e assim percebê-lo como um ser vivo com mais facilidade.

Conjuração Três – Encantamento em TecnoFeitiçaria

Para o trabalho da terceira conjuração, o Tecnomago pode precisar preparar ou adquirir alguns instrumentos, sendo o mais importante dentre eles uma ferramenta especial ou arma, para encantamento. A antiga varinha mágica perdeu seu lugar para o controle remoto há décadas, mas o Tecnofeiticeiro tem objetos ainda melhores hoje. Seu celular pode fazer coisas que deixariam seu controle remoto com vergonha. Aprenda como transformar seu celular, seu tablet ou gadget de bolso em uma arma mágica. E não pense apenas em controle para a sua televisão ou dvd. Um Tecnofeiticeiro consegue ligar e desligar carros com seu celular. Consegue operar computadores à distância, sequestrar outros celulares via bluetooth. Lembre-se que hoje vivemos em um mundo onde chaves e botões estão obsoletos, praticamente tudo o que existe ao nosso redor funciona via ondas de radio ou de telefonia. Seu celular inclusive.

Conjuração Quatro – Invocação em TecnoFeitiçaria

A meta da quarta conjuração é criar mudanças radicais no comportamento através de alterações temporárias no ambiente. Não há dúvidas que nos dias de hoje a vida virtual das pessoas afetam de maneira real a vida pessoal, mas isso não é explorado ao extremo ainda. Por exemplo, há anos os setores de RH de empresa estudam as redes sociais dos candidatos para perceber aspectos dele que não ficam claros em entrevistas. Existem fóruns, sites e aplicativos para se conseguir sexo e relacionamentos. Você pode até conseguir diplomas pela internet. Mas dificilmente alguém cria uma persona inteiramente fictícia e diferente da própria personalidade para ver como isso altera a própria vida. Você pode criar um culto virtual e então ir encontrar pessoalmente seus seguidores para palestras, rituais, etc. Você pode criar empresas virtuais para descobrir como prestar serviços diferentes. Pode criar um executivo e ir palestrar para empresas. O objetivo aqui não é enganar as pessoas, mas você criar a condição de se enganar e virar uma pessoa diferente e então experimentar a vida desta pessoa. Alugue-se no dia dos namorados e descubra como é ser um namorado que ama profundamente uma pessoa, se encontre com sua namorada, ande de mãos dadas, mude o status do facebook, conheça a família dela e no dia seguinte siga com a vida.

Conjuração Cinco – Iluminação em TecnoFeitiçaria

Nos trabalhos de iluminação, o Tecnomago procura se auto-aperfeiçoar de alguma maneira específica e precisamente definida. O ser humano tem uma tendência natural de se apegar nas próprias forças deixando as fraquezas de lado, é o momento dele trabalhar essas fraquezas. Para o trabalho de iluminação, o tecnomago deve escolher um tópico no qual vai se tornar mestre. Alguma linguagem de programação ou alguma área da tecnologia como eletrônica, ou mesmo física ou matemática. Qualquer coisa que o faça dominar um aspecto da tecnologia que existe hoje. Conforme for se desenvolvendo verá que seu trabalho evolui. Se antes usava programas ou apps prontos da internet começa a desenvolver os próprios. Se antes trabalhava com um simples “sim” ou “não”, percebe que pode começar a desenvolver um sistema que responda “talvez”. Não é incomum para o Tecnomago abandonar um caminho de aperfeiçoamento quando percebe que ele é muito limitado ou estreito durante o trabalho de iluminação.

Conjurações Seis a Dez – Magia CyberXamânica

A Magia CyberXamânica depende do uso de estados alterados de consciência nos quais a visualização ativa e a busca da visão passiva possam ocorrer mais facilmente. Historicamente os Xamãs sempre buscaram esses estados ou através da exaustão/êxtase ou do uso de drogas/substâncias naturais. Sabemos que esses estados acontecem quando a frequência do cérebro é alterada por essas substâncias – sejam elas produzidas pelo corpo ou ingeridas pelo corpo. Hoje com a tecnologia o Tecnomago se utiliza de métodos contemporâneos para influenciar o seu cérebro de maneira mais prática, rápida, poderosa e controlada.

O Xamã se utiliza dessas técnicas para buscar uma conexão com o espírito vivo do mundo. O Tecnomago vai se utilizar desses estados alterados para buscar uma conexão com a consciência viva daquele que chamamos hoje de cyberespaço, o fluxo vivo que contém hoje quase toda informação da raça humana.

A Máquina dos Sonhos é uma importante ferramenta de visões. Versões portáteis da máquina de Ganzfeld. Luzes estroboscópicas. Programas como o iDoser. Todas essas ferramentas serão utilizadas, o Tecnomago deve se familiarizar com elas.

Conjuração Seis – Evocação CyberXamânica

Neste trabalho, o Tecnomago faz uso de uma das tecnologias para alterar sua consciência na busca da visão de uma entidade que ele “domará” para obedecer suas ordens. Durante os transes experimentados o Tecnomago buscará essa criatura que se tornará seu familiar virtual, e então usará seus conhecimentos adquiridos durante as conjurações de TechnoFeitiçaria para dar vida a ela. Ela deve ser construída na forma de aplicativos ou vírus, por exemplo, que encorajem eventos desejados a se materializarem, ou para buscar informações, em situações que sejam muito complexas para que simples encantos ou divinações resolvam o caso.

Familiares virtuais agem como encantos semi-inteligentes como um nível limitado de ação independente. O tecnomago intenta construir uma comunicações crescente com as entidades que fabricou no mundo do cyberespaço até que elas comecem a ter verdadeiro efeito sobre o mundo.

Conjuração Sete – Divinação CyberXamânica

Na magia xamânica, a divinação consiste em uma busca de visões que respondam a algumas perguntas em particular. Entretanto, o termo “busca de visões” deve ser compreendido de forma a incluir uma busca para uma resposta captada de qualquer forma, seja através de vozes alucinatórias, sensações táteis ou qualquer coisa. Em geral, o Technomago se concentra na pergunta que deseja fazer, enquanto adentra seu estado de sonho , quase-sono ou transe induzido tecnologicamente, e então permite que um fluxo de imagens, vozes ou outras sensações surjam dento de si. Uma visão de forma completamente livre pode ser buscada e mais tarde interpretada, ou o tecnomago pode tentar estruturar sua experiência procurando por símbolos especiais, especialmente aqueles escolhidos para o trabalho de divinação em tecnofeitiçaria.

Conjuração Oito – Encantamento CyberXamânico

No Encantamento CyberXamânico, o mago busca impor sua vontade sobre o mundo através do desenvolvimento de uma ferramenta – seja um gadget ou um programa – surgido de uma visualização direta ou simbólica de seu desejo. Assim, enquanto em sua forma escolhida de transe, ele convoca uma imagem do fenômeno alvo e visualiza seu desejo se realizando. Geralmente, o tecnomago, terá visões que o inspirem a desenvolver algo que causará tais mudanças simplesmente mesclando a informação de seu cérebro com a informação do Cyberespaço. Um Tecnomago experiente descobrirá que esse tipo de trabalho tem mais poder quando cria um sistema que se espalhe sozinho, como um vírus, e fique latente esperando os comandos de seu mestre. Imagine criar um servo que se infiltre no sistema de tráfego e então aguarde o comando de um celular para causar tráfegos ou garantir uma via desimpedida.

Eventualmente o tecnomago pode influenciar a receita de prescrições médicas de pessoas, reservas em restaurantes ou eventos e transações bancárias sentado no banco de uma lanchonete.

É muito importante que durante as conjurações de CyberXamanismo, o Tecnomago comece a desenvolver a sua intuição para perceber melhor as entidades virtuais que captar em seus estados alterados.

Conjuração Nove – Invocação CyberXamânica

Na Invocação CyberXamânica, o tecnomago obtém conhecimento e poder a partir de Atavismos, normalmente atavismos de programação. Existem inúmeras razões racionais que explicam como o cérebro humano pode perceber linguagens de programação como seres conscientes e com personalidade própria. Não apenas a genética, mas o cérebro humano são uma coletânea cristalizada de dados que são modificados, preservados e passados adiante. Uma linguagem de programação não é muito diferente disso. As partes mais antigas de nossos cérebros contêm circuitos e programas que são usados para se criar – ou descobrir – as linguagens que usamos para construir o mundo ao nosso redor, desta forma a linguagem Python, por exemplo, mesmo tendo sido desenvolvida em 1991, possui a mesma estrutura da linguagem que existe nos seres humanos há centenas de milhões de anos.

Não é incomum que o Tecomago associe a determinadas linguagem um animal totêmico, como uma serpente, uma águia, etc. Muitas delas inclusive trazem animais em seus logos ou manuais, isso é importante porque diz muito a respeito da personalidade da linguagem e da maneira com que ela se comporta.

Para realizar a Invocação Xamânica, o Tecnomago se esforça para obter algum tipo de possessão por um atavismo de programação. Sua mente deve se comportar como se fosse o resultado da programação de tal linguagem. Pode ser que o Tecnomago tenha certa afinidade com uma linguagem desde a adolescência, ou tenha alguma característica física ou mental que sugira uma determinada linguagem, ou pode ser que surja uma intuição ou que ocorra uma revelação visionária repentina.

Para desenvolver a invocação, o mago deve tentar visualizar-se como se fosse um construto programado na linguagem durante o transe, e até mesmo tentar projetar-se em viagem cyberespacial sob a forma de um programa ou vírus desenvolvido na linguagem escolhida. Costuma ser útil imitar mentalmente o desenvolvimento do dito programa ou vírus, e a maneira com que ele chega, se instala e passa a funcionar em outras máquinas ou mesmo em sua forma virtual. Com a prática, vários graus de divisão da consciência podem ser alcançados, nos quais é possível para o Tecnomago interrogar seu atavismo sobre assuntos que ele compreenda, e pedir a ele que forneça seus poderes que podem ser suportados pelos corpos físico e cyberastral do mago.

Conjuração Dez – Iluminação CyberXamânica

A assim chamada jornada medicinal da Iluminação CyberXamânica é uma busca por auto-conhecimento, auto-renovação ou auto-desenvolvimento. Ela pode tomar muitas formas. Tradicionalmente ela costuma tomar a forma de uma experiência de destruição e recriação, na qual o tecnomago visualiza sua própria morte e o desmembramento de cada bit de informação genética, mental, psíquica e social de seu ser, seguidos por uma reconstrução de seu corpo e “espírito”, e um renascimento. Este processo é algumas vezes acompanhado de privações físicas, como insônia, jejum e dor, para aprofundar os transes.

Outro método é conduzir uma série de jornadas visionárias convocando os assim chamados “espíritos” do cyberespaço, programas, aplicativos e sistemas, e pedir a eles que concedam conhecimento. O método mais simples de todos é recolher-se por alguns dias em um lugar isolado, longe de atribulações humanas, e ali conduzir uma completa revisão de sua vida até o presente, e também de suas expectativas para o futuro, chegando a recriar toda a sua existência, gerando novos documentos aceitos pelos bancos de dados do governo do seu país e de outros. Uma nova vida iniciada do zero.

Conjurações Onze a Quinze – TecnoMagia Ritual

Na Tecnomagia ritual, o uso físico de instrumentos mágicos é combinado com estados alterados de consciência em uma série de cerimônias estruturadas. O Tecnomago começa a perceber que a informação tecnológica do mundo podem se mesclar à informação que o constitui e começa também a incorporar certas teorias mágicas dentro do projeto de seu trabalho, para fazê-lo mais preciso e efetivo.

O Tecnomago deve ampliar seu uso de transe tecnológico, utilizando variadas técnicas de gnosis aprendidas e desenvolvidas. Isto tem o efeito de trazer mais completamente à tona as informações inconscientes que existem na mente, as quais realmente fazem a magia. Na tecnomagia ritual é feito um uso considerável de vários sistemas de correspondência simbólica, programação analógica e hipersigilos. Eles são usados para se comunicar com o inconsciente e para preocupar a mente consciente enquanto a tecnomagia está sendo realizada.

A tecnomagia ritual é sempre estruturada como uma abordagem indireta do desejo no nível consciente. O Tecnomago ritualístico nunca trabalha com uma representação ou visualização direta do que deseja, mas sim com algum hipersigilo ou analogia simbólica, que dentro de um estado gnóstico estimula o real desejo no inconsciente.

Conjuração Onze – Evocação TecnoRitual

Para a evocação Tecnoritual, os Tecnomagos podem escolher continuar usando as formas de entidade desenvolvidas nos níveis de tecnofeitiçaria ou cyberxamânicos.

Alternativamente, eles podem tentar construir suas próprias formas de entidade. Reza a tradição que um tecnomago não deve manter mais que quatro entidades ao mesmo tempo, e na prática isso parece uma boa regra.

Na evocação ritual sempre se utiliza uma base material, mesmo que seja apenas um cybersigilo animado em uma página de internet. Nas evocações iniciais, o tecnomago constrói uma forte imagem visualizada da entidade, usando gnosis completa. Nas evocações seguintes, ele programa o sistema que será o corpo “físico” da entidade, com as várias ordens e orientações para a base material da entidade, ou busca receber informações dela. O sistema deve ser desenvolvido e programado ritualisticamente durante os estados de gnosis, sempre que possível. Quando não estiver em uso, ele deveria estar escondido. Uma boa área para o desenvolvimento e armazenamento dessas é a Deepweb.

Conjuração Doze – Divinação TecnoRitual

Na divinação tecnoritual, algum tipo de instrumento físico é manipulado para dar uma resposta simbólica ou analógica durante o estado de gnosis. Estados profundos de gnosis tecnológica tendem a impedir o uso de instrumentos divinatórios complexos, como simuladores de interpretação de Sephiroths ou do I Ching, para muitas pessoas. Outros podem achar que sistemas aleatórios muito simples muito simples, tais como simuladores de lançamentos de moedas, tendem a conceder muito pouca informação para este tipo de trabalho, enquanto sistemas de complexidade intermediária, como geradores de imagens fractais aleatórias são frequentemente mais proveitosos. Antes da divinação o Tecnomago deveria carregar ritualisticamente o programa divinatório com um sigilo ou representação analógica da questão. A seleção divinatória é então realizada sob gnosis. A interpretação pode ser feita sob gnosis, ou depois do retorno à consciência comum.

Conjuração Treze – Encantamento TecnoRitual

Para o encantamento tecnoritual, o tecnomago pode escolher usar o instrumento especial de encantamento do trabalho no nível de tecnofeitiçaria, a menos que esteja particularmente inspirado para criar um instrumento melhor. Todo encantamento tecnoritual depende do uso de algum tipo de interação com um programa ou aplicativo – um jogo que requeira a atenção por exemplo – para ocupar e driblar a mente consciente, trazendo o poder do inconsciente para a ação. Um encanto pode consistir de virtualmente qualquer coisa, desde o desenvolvimento e programação de um vírus ou programa escondido dentro de um aplicativo até o sequestro do sinal de uma emissora de televisão ou rádio para subsequente manipulação e reemissão para os espectadores finais. Em todos os casos, o Tecnomago precisa usar a gnosis e a concentração sobre o encanto em si, ao invés de no desejo que ele representa, para realizar intervenções virtuais efetivas.

Conjuração Catorze – Invocação TecnoRitual

Na invocação tecnoritual, você, o Tecnomago, busca criar um overload de informação seus sentidos com experiências que correspondam ou simbolizem alguma qualidade particular que você deseja invocar. Assim, pode-se adornar o templo e a si mesmo com cores, aromas, símbolos, números, pedras, plantas, metais e sons correspondentes àquilo que será invocado. Você pode também adaptar seu comportamento, pensamentos e visualizações, enquanto em gnosistecnológica, em uma tentativa de ser possuído pelo que você invoca. Na prática, as formas de sistemas e programas clássicos são usadas freqüentemente, já que oferecem um espectro de qualidades que resumem toda a psicologia.

O Tecnomago deve, neste ponto, ter consciência plena de que os construtos virtuais são entidades tão reais quanto ele, e que a qualidade dos resultados que lhes trazem são resultados diretos da personalidade de cada um.

Você não deve restringir-se a invocar apenas aquelas qualidades pelas quais tem uma simpatia pessoal, busque começar a utilizar sistemas e linguagens a que não está habituado. Qualquer invocação particularmente bem-sucedida deveria ser seguida, algum tempo depois, por uma invocação de qualidades completamente diferentes. Um programa meticuloso de invocação ritual deveria abranger o sucesso com pelo menos cinco invocações completamente diferentes.

Conjuração Quinze – Iluminação TecnoRitual

Na iluminação tecnoritual, o tecnomago aplica a si mesmo vários atos rituais de divinação, encantamento, evocação e invocação, com fins de auto-desenvolvimento. Se possível, é nesta fase que o Tecnomago começa a flertar com o uso de nano-tecnologia, de biochips e novas formas de auto-programação neurolinguística para buscar evoluções orgânicas e mentais também – quando maior se torna sua capacidade de armazenagem e processamento de dados mais você consegue realizar.

Como com todos os atos de iluminação, as mudanças pretendidas devem ser específicas, ao invés de vagas e gerais. Para esta conjuração, você pode achar útil preparar uma “blueprint” mais elaborada, talvez comece a projetar chips como se fossem mandalas que representem seu eu ou sua alma.

Um efeito comum da iluminação tecnoritual é forçar o tecnomago a escolher entre Atman e Anatta. Se você trabalha dentro do paradigma de Anatta, a hipótese de não-alma, a iluminação é uma maneira de aproximar o próprio corpo do conceito de máquina orgânica que pode e deve receber upgrades e implementações, adicionando ou de apagando certos padrões de pensamento e comportamento mamífero. Se o tecnomago trabalha dentro do paradigma de Atman, a doutrina da alma pessoal ou Sagrado a ser atingido, ele encara uma situação mais complexa, perigosa e confusa. Se existe a presunção de que uma alma pessoal existe, e e;a nada mais é uma um padrão de informações ou de dados que se agrupam e interagem de uma determinada maneira mas sem um Querer Verdadeiro, o tecnomago do Atman pode proceder como se fosse um Anatta-ísta. Se um Banco de Dados Universal, Um Arquivo Akáshico Verdadeiro presumidamente existe, então a conjuração precisa ser direcionada à união de seus dados de forma virtual e espiritual. Ele deve encontrar esses arquivos e implementá-los em seus sistema nervoso. Àqueles que desejam tentá-lo, é aconselhável evitar aceitar como Querer Verdadeiro qualquer coisa que entre radicalmente em conflito com o senso comum ou o “querer inferior”, como é chamado neste paradigma.

Conjurações Dezesseis a Vinte – Magia CyberAstral

Magia astral é o ritual mágico realizado inteiramente no plano de visualização e imaginação. Ao contrário da magia xamânica, onde se explora uma forma livre do uso de imagens e visões, esta magia requer a visualização precisa e aguçada de uma paisagem interna. Nesta paisagem, o mago leva adiante processos criados para trazer conhecimento do mundo comum, ou mudar o mundo ou a si mesmo. A magia astral deve ser abordada com pelo menos tanta preparação e esforço quanto a que foi colocada na magia ritual ou, de outra forma, ela tende a se tornar uma série de excursões através da imaginação, com pouco efeito mágico. Corretamente realizada, ela pode ser fonte de extraordinário poder, e tem a vantagem de não requerer equipamento físico. A magia astral normalmente se inicia em algum lugar quieto e afastado, enquanto o mago está confortavelmente sentado ou deitado com os olhos fechados. Podem existir poucos sinais exteriores de que algo está acontecendo, além de talvez uma variação na respiração ou postura ou expressão facial, enquanto o mago entra em gnosis. Para preparar-se para a magia astral, um templo ou uma série deles têm de ser erguidos no plano da visualização imaginativa; tais templos podem tomar qualquer forma conveniente, embora, alguns magos prefiram trabalhar com um exato simulacro do templo físico. O templo astral é visualizado em refinados detalhes e deve conter todo o equipamento necessário para o ritual, ou, pelo menos, armários onde quaisquer instrumentos necessários possam ser encontrados. Qualquer objeto visualizado dentro do templo deveria sempre permanecer lá para subsequente inspeção, a menos que especificamente dissolvido ou removido. O objeto mais importante no templo é a sua própria imagem trabalhando lá. No início, pode parecer que se está meramente manipulando um fantoche de si mesmo, mas com persistência isto abrirá caminho para uma sensação de realmente estar ali.

Antes de começar a magia astral propriamente, o templos e os instrumentos necessários, juntamente com uma imagem do mago movendo-se dentro dele, devem ser construído através uma série de repetidas visualizações, até que todos os detalhes estejam perfeitos. Apenas quando isso estiver completo, o mago poderá começar a usar o templo. Cada conjuração que é realizada deve ser planejada com antecedência e com a mesma atenção aos detalhes utilizada na magia ritual. Os vários atos de evocação, divinação, encantamento, invocação e iluminação astral tomam uma forma geral similar aos atos da magia ritual, os quais o mago adapta para o trabalho astral.

Conjurações Vinte e Um a Vinte e Cinco – Alta TecnoMagia

Todas as técnicas tecnomágicas são apenas muitos modos de fazer com que algumas partes indefinidas de nós mesmos realizem magia. Um dos maiores problemas de nossa era é a quantidade de meios que desenvolvemos não apenas para coletar e gerar dados, mas as formas que arranjamos de arquivá-los. Até 50 anos atrás um ser humano podia ter que trabalhar com um número imenso de dados, mas seu trabalho se focava nos dados que conseguia manipular fisicamente e nos dados que podiam ser guardados. Hoje em dia quantidades imensuráveis de dados são geradas, coletadas e guardadas e não temos nenhuma experiência em como lidar com isso. Por um lado isso é problemático, já que também não sabemos como interpretar esses dados – é como termos um mapa que nos leva à fonte da juventude eterna a à maior mina inexplorada de ouro do universo mas não sabemos como lê-lo. Pior não sabemos que é sequer um mapa. Por outro lado isso é prejudicial porque tudo aquilo que não pode ser observado e armazenado é tido como algo inútil ou como mera superstição.

A tecnologia de hoje nos faz pensar, hoje, que a humanidade do passado era ignorante, uma espécie que precisava de deuses e magia para preencher lacunas que sua inteligência não preenchia. O problema é que quase ninguém hoje compreende essa tecnologia. O seu smartphone, por exemplo, tem mais tecnologia do que a nave que levou os primeiros homens à lua.

O universo é basicamente uma estrutura mágica, e todos nós somos capazes de magia. As teorias mágicas realmente úteis são aquelas que se adaptam à informação disponível ao seu redor, à realidade que você está habitando no momento e às ferramentas que estão à sua mão. Vivemos em um mundo que confunde quantidade de informação com sabedoria e luzes que brilham com avanços tecnológicos. A magia está muito além desse orgulho simiesco que o seu humano típico apresenta. É como se a tecnologia criada por nós fosse um encanto para convencer-nos que nós não somos magos ou de que magia não existe fora dos efeitos especiais que vemos no cinema. Contudo, este encanto é mais uma divertida brincadeira cósmica. A tecnologia nos desafia a despedaçar a ilusão deixando algumas poucas rachaduras.

Nenhum detalhe é apresentado para as cinco conjurações de alta Tecnomagia, nem poderiam ser. Os tecnomagos que chegaram a este ponto precisam confiar no momentum de seus trabalhos em tecnofeitiçaria, cyberxamanismo, tecnomagia ritual e magia cyberastral para levá-los aos domínios da alta tecnomagia, onde eles desenvolvem seus próprios truques e técnicas para liberarem espontaneamente a criatividade caótica interior e despedaçarem a realidade como desejarem. Tornarem-se, literalmente, Deus ex machina.

O Sigilo mostrado no início deste tratado é a representação máxima de todos os trabalhos desenvolvidos até o momento por Tecnomagos. Não deve se tornar o sigilo pessoal de cada praticante, mas serve como o core, a placa de circuito básica, utilizada para se reconhecerem. Seja na forma de logotipo, de gráfico virtual, de arte de aplicativo, de tecnotatuagens, placas de novos processadores, ele está presente, e com o tempo se tornará visível a todos que souberem buscá-lo.