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Servidores – Definição, História e Métodos

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De forma geral, um servidor é uma entidade construída por um ou mais magistas com objetivo específico, e que pode ser usada por um ou mais magistas que desejem este objetivo. Muitas vezes, a criação de servidores é baseada em contratos escritos, mas existem métodos de criação que utilizam apenas a canalização das energias desejadas.

Em termos de funcionalidade, de fato, os servidores se assemelham muito a outros tipos de entidades. Dessa forma, a prática de criação e utilização de servidores pode ser realizada de forma mais produtiva caso sejam entendidas as diferenças e as semelhanças com estes outros tipos.

Tipos de Entidades

As descrições documentadas acerca dos tipos de entidades não são tão fixas e rígidas como parecem. Ao longo do tempo, as palavras foram re-significadas, adaptadas, e novas definições foram sendo acrescentadas, enquanto outras caíram em desuso. Porém, é importante que se tenha uma ideia das diferenças e semelhanças entre os servidores e outros tipos de entidades, para seu uso da forma mais vantajosa possível.

  • Divindades: geralmente este termo se aplica a energias que foram personificadas ao longo dos séculos na forma de deuses, semideuses, Devas, Anunakis, ou outras nomenclaturas possíveis. Estão relacionados a aspectos naturais, mentais, espirituais, físicos ou energéticos, e para que uma entidade alcance este nível esta deve ser conhecida por um grupo, sociedade, etnia ou cultura, podendo ou não ser cultuada. Pelo caráter cultural, esta classificação geralmente se aplica a entidades mais antigas, que sobreviveram à passagem do tempo e foram sendo passadas entre as gerações — o que não é o caso, ainda, dos servidores mais recentes, devido à sua baixa (porém crescente) publicidade, e a seu poder limitado.
Imagem: Adam Warlock and Cosmic Entities

Imagem: Adam Warlock and Cosmic Entities

  • Espíritos: são entidades que habitam os planos espirituais, por vezes também sendo acessíveis no plano astral ou etérico, e consistem nas almas de pessoas que não estão encarnadas. De forma mais geral, o termo pode se aplicar a energias diversas que habitam nestes planos. Os espíritos podem ser atraídos pelo magista, mas de forma geral não são criados por ele de forma consciente, como os servidores. No espiritismo, podem ser almas humanas desencarnadas, no budismo podem ser espíritos famintos ou habitantes dos infernos de tormento, e na mitologia moderna ocidental podem ser entendidos também nessa categorias as assombrações ou fantasmas. Na Magia do Caos são muito citados os obsessores, que são conceitos importados de outros Sistemas como a ideia de espíritos parasitas astrais que se alimentam de obsessões que geramos em nós.
  • Santos e Heróis: no Cristianismo, os Santos são associados a pessoas que realmente viveram, embora seus feitos possam ter sido distorcidos e exagerados ao longo dos séculos, ou ainda descritos de forma metafórica. A história de vida “oficial” de cada um dos santos católicos, por exemplo, pode ser consultada nos arquivos do Vaticano, e algumas delas estão disponíveis na internet. Na cultura nórdica antiga, alguns heróis mortos eram reverenciados e usados de inspiração, como homens que habitavam aquele momento o Valhalla, era um incentivo para os guerreiros vikings lutarem suas batalhas. Na Grécia Antiga também pode se entender os heróis como personificações santificadas pela cultura guerreira dos helênicos, que conduziu boa parte da cultura de formação moral e ética daquele povo. As energias dos Santos e dos Heróis são atraídas de forma a obter as graças que estas pessoas teriam realizado em vida, embora muitas destas graças possam ter sido imputadas a eles posteriormente, não sendo baseadas em fatos. A diferença básica para os servidores seria o fato de os santos e os heróis não terem sido criados por um magista, mas sim registrados pela instituição eclesiástica (inclusive com procedimentos específicos envolvidos na beatificação) ou pela tradição oral e escrita, além do fato de acreditarem-se terem vivido como pessoas reais, e realizado tais feitos.
Imagem: DC Abstract Entities-Time-The Sandman — Overture #4 (2015) — Page 6

Imagem: DC Abstract Entities-Time-The Sandman — Overture #4 (2015) — Page 6

  • Eidolons e Dæmons na Grécia: na cultura grega, acreditava-se que os humanos que morriam de forma heróica se tornavam Daemons, podendo migrar entre a superfície e o subsolo da Terra, servindo de intermediários entre os humanos e os Deuses. Já os humanos que morriam de velhice se tornavam Eidolons, vagando eternamente no Hades sem personalidade e com expressão vazia. A função dos Daemons como intermediários entre os humanos e os Deuses pode ser associada à realização de desejos dos magistas pelos servidores (na cultura árabe, inclusive, estas entidades foram descritas como Gênios ou Djinns), porém sua criação independe da vontade de um magista, o que é uma diferença crucial para fins de classificação.
  • Asuras e Devas na Índia e China: Em uma cosmovisão muito diferente das referências ocidentais, nos dois reinos mais elevados do Samsara, dentre os 6 reinos do budismo, existem duas categorias de entidades que nada se assemelham com espíritos ou humanos. Os Asuras são como entidades guerreiras de extremo poder e longevidade, que vivem embebidos de bonanças e orgulho. Seriam análogos a demônios em uma visão simplista de suas manifestações mitológicas (seres vermelhos, imensos, com fogo saindo das ventas), mas Asura em Páli significa “antideus”, ou como se fossem deuses egoístas que não trabalham para ajudar ou conduzir a humanidade, senão conduzir seus próprios desejos e conquistas e glórias. Já os Devas seriam o mais próximo de anjos na cosmogonia Hindu, seriam como seres sencientes de vários níveis e camadas (desde seres físicos que se alimentam e dormem, até feitos de pura luz que se alimentam de sua própria emanação). Eles seriam seres que acumularam um carma tão positivo que em uma encarnação nasceram plenos de todos os prazeres que podem receber no universo. Servem às vezes como guias mas em geral nem se dão conta da existência humana, tão grande é sua glória e sua liberdade. Embora complexa, caso a evocação destes seres seja bem sucedida, estes poderiam conceder pedidos com finalidades de dispersão e evolução (no caso dos Asuras) ou concentração e manutenção (no caso dos Devas).
  • Shinigamis e Onis: na mitologia xintoísta, existem duas classes de entidades que não possuem correspondência direta no panteão espiritual ocidental. Os Onis são como os “demônios” na forma mais bestial, são criaturas malignas, mas que serviam dentro dos propósitos de fábulas japonesas sobre as consequências da má criação das crianças. Eram como monstros que comiam almas. Já os Shinigamis seriam equivalentes ao ceifeiro das lendas europeias, ou deus da morte, as entidades que vinham para levar as almas dos homens e conduzi-las ao lugar que pertenciam de acordo com o resultado de seus atos na Terra. Podem ser evocados e suas características podem ser atraídas pelo magista, mas como no caso das divindades já possuíam existência própria, estando previamente relacionados a alguns aspectos do Cosmos.
Imagem: modelo de contrato com o Demônio Padiel (em Skinner e Rankine — The Goetia of Dr. Rudd).

Imagem: modelo de contrato com o Demônio Padiel (em Skinner e Rankine — The Goetia of Dr. Rudd).

  • Demônios e Anjos: as emanações das energias de dispersão e de evolução e das energias de concentração e manutenção foram personificadas há longo de milênios como anjos e demônios. Possuem diversas hierarquias e níveis de poder, podendo estar associados também a planetas, horas, dias, direções cardeais e elementos alquímicos. São descritos em diversos grimórios, principalmente nos cinco livros de Magia Salomônica que compõem o Lemegeton. Os mais famosos dentre os demônios e anjos de menor hierarquia são os 72 Daemons da Goécia e os 72 ShemHamPhorash correspondentes, que por estarem mais próximos dos humanos podem ser evocados de forma mais direta. Estas entidades foram evocadas e compiladas por diversos magistas, mas os relatos aos quais se tem acesso indicam que possuíam existência própria, não sendo criados como os servidores. De qualquer forma, como os servidores, cada um possui características próprias, podendo ser escolhido o melhor Daemon ou ShemHamPhorash para cada objetivo a ser alcançado.

No Compêndio de Magia Salomônica do Dr. Rudd, é apresentado um modelo de contrato com um demônio, permitindo observar que, na época que o livro foi escrito (por volta de 1650), já havia uma preocupação em limitar-se a atuação das entidades, para evitar ações indesejadas.

  • Familiares e Animais Totêmicos: os familiares animais são usados por feiticeiros e citados em diversos tratados sobre magia, principalmente os de origem europeia e os da época medieval. Tratam-se de animais que auxiliavam o magista em suas práticas, tendo existência física como animais, mas com características mágicas, e podendo em alguns casos se comunicar com o magista. Neste caso, a consciência mágica pertence ao próprio animal, que também é o veículo para a energia, e ele possui atuação independente do magista, sem limitar-se a apenas uma atividade. Ao contrário dos familiares, os animais totêmicos não possuem existência física (embora possam aparecer no mundo físico como sinais ou avisos). São guias astrais que correspondem a forças primordiais do inconsciente do magista, e se aliam a ele em sua jornada. Uma classe de entidades similares é a dos Familiares Espirituais, espíritos que são comandados por uma força superior para seguirem um magista e auxiliá-lo em suas práticas. Apesar de terem o mesmo caráter auxiliar dos servidores, considera-se que possuem existência independente do magista, não sendo criados conscientemente pelo mesmo, mas sim sendo atraídos por afinidade de frequências.
  • Elementais Naturais, Homúnculos e Golems: na Alquimia, são citados diversos rituais para atrair elementais, que são seres relacionados aos elementos e que existem naturalmente no plano astral — os principais são os duendes e gnomos (terra), os silfos e fadas (ar), as ondinas (água) e as salamandras (fogo). Estes elementais são correspondentes a estados mentais específicos, e podem influenciar o magista ou outras pessoas. Os Homúnculos e os Golems (estes últimos também utilizados na magia judaica) seriam entidades criadas pelo próprio magista. Nesse sentido, um golem seria um corpo físico, criado artificialmente (de metal, barro ou madeira) que foi animado por meio de um ritual, e pode fazer tarefas para o magista. Já um homúnculo seria um elemental artificial criado pela prática alquímica (mas geralmente com base em uma substância física, como sêmen ou metais), e que vive no plano astral — observa-se grande semelhança com os servidores modernos.
Imagem: Giulio Romano c. 1532–1534 The Assembly of Gods Around Jupiter’s Throne Sala dei Giganti.

Imagem: Giulio Romano c. 1532–1534 The Assembly of Gods Around Jupiter’s Throne Sala dei Giganti.

  • Tulpas e Formas-Pensamento: na Magia Tibetana, as Tulpas (derivadas do termo “sprul-ba” — emanar algo de forma proposital) são criadas mediante forte intenção e concentração, por meio de práticas direcionadas. Podem seguir o magista, e algumas podem mesmo ser vistas por outras pessoas. As Formas-Pensamento estudadas na Teosofia são um tipo mais geral de manifestação, podendo ser relativas a objetos inanimados ou a entidades animadas. O conceito de Tulpa foi distorcido ao ser transposto para o Ocidente (veja mais aqui), mas de forma geral as Tulpas e as Formas-Pensamento se assemelham muito a servidores, diferindo apenas nas práticas específicas de criação, e nas limitações impostas.
  • Vampiros: de forma geral, é entendido que algumas entidades, com existência independente ou criadas por magistas, podem se alimentar de energias psíquicas, um fenômeno chamado de vampirização. Um exemplo disso são as Lendas Urbanas, que de tanto serem incutidas no inconsciente coletivo passam a ser vistas por pessoas em momentos de vulnerabilidade, cansaço, sonolência ou estresse. Quando se alimentam do medo, estes vampiros energéticos vêm sendo inclusive chamados de “Tulpas” (termo utilizado como corruptela, e somente em uma visão Ocidental, muito diferente do conceito original, Oriental, de Tulpa). A diferença básica para os servidores, neste caso, é que a alimentação energética dos servidores é controlada e ocorre sempre de forma proposital pelo magista — desde que bem estabelecida no momento de sua criação — e não de forma predatória ou descontrolada.
  • Imagem: o Alquimista Enrique de Villena criando um homúnculo.

    Imagem: o Alquimista Enrique de Villena criando um homúnculo.

    Mônadas: no gnosticismo existe o conceito de uma essência que está ligada a todas as almas sencientes, e essa essência pode se manifestar como uma entidade semelhante a um homúnculo, uma criatura humanoide minúscula feita de luz e linguagem. Essas entidades têm uma descrição semelhante na experiência com DMT do psiconauta Terence Mckenna, como pertencentes a uma dimensão feita de linguagem e muito mais evoluída que a nossa. Para Samael Aun Weor, todos nos tornamos mônadas após 108 vidas humanas sem alcançar a iluminação, e este seria o motivo do número de contas no colar de Buda. De forma geral, as mônadas possuem existência independente do magista, e não são criadas propositalmente, mas podem ser atraídas e utilizadas para os mesmos fins que os servidores.

Elementais Artificiais na Golden Dawn

Na Golden Dawn, cada um dos membros se aperfeiçoou em um conjunto de sistemas mágicos, e neste contexto, por volta de 1910, a magista Dion Fortune desenvolveu, com base em diversos sistemas mágicos antigos, dentre eles a Alquimia, seu método de criação de elementais artificiais (semelhante ao descrito aqui). Os elementais surgiam como formas-pensamento, mediante forte intenção e propósito, sendo moldados pelas forças psíquicas do magista e realizando atividades pré-determinadas.

Estes seres construtos possuíam um caráter similar ao de várias classes de entidades, como as que foram descritas anteriormente, e as formas utilizadas para sua criação eram próximas às da Teosofia e às da Magia Tibetana. Fortune alegava, no caso, ter criado um elemental artificial na forma de um lobo ou lobisomem, que dormia aos pés de sua cama (leia mais sobre, aqui).

Servidores na Magia do Caos

Altar com Servos Astrais The Seer The Witch The Idea The Librarian

Imagem: Chariot’s Wheels

A partir da ideia de elementais artificiais, os círculos de Magia do Caos aperfeiçoaram as metodologias para criação de servidores que realizassem ações para o magista. Entre outras definições, a criação de servidores pode ser entendida como o ato de plasmar, no mundo externo, uma porção da psiquê do magista, na forma de uma entidade separada. Em seu trabalho User’s Guide to Servitors, o autor Phil Hine comenta que:

Ao deliberadamente germinar porções de nossa psiquê e identificá-las por meio de um nome, traço, símbolo, nós podemos trabalhar com elas (e entender como elas nos afetam) a nível consciente.

Sendo assim, a atuação dos servidores é, por um lado, similar à dos sigilos (uma vez que há intuitos e objetivos específicos embasando sua criação), e por outro lado mais independente (pois os servidores podem se movimentar pelo astral para realizar estes serviços de forma mais direta, também se comunicando de forma mais direta com o magista). De forma geral, os servidores podem ser relacionados a um sigilo, ou a um objeto, que servirão como sua morada ou simples ponto de ancoramento, e possuem algumas características essenciais — na definição típica Caoísta:

  • Criação Consciente: os servidores são criados conscientemente, de forma deliberada, por um magista, e não possuem previamente uma existência própria como um aspecto mental, natural ou espiritual.
  • Especificidade: os servidores são criados com características e objetivos específicos, incluindo limitações, traços de personalidade, fontes específicas de alimentação e formas específicas de evocação/destruição. Para especificar tais aspectos, pode ser feito um contrato por escrito.
  • Movimentação: diferente de sigilos, fetiches ou outros elementos mágicos inanimados e imóveis, geralmente se considera que os servidores podem fluir pelo astral, e podem realizar atividades em diferentes lugares, assim como seguir o magista, dependendo do objetivo para o qual foram criados.
  • Hierarquia: crê-se que os servidores estão dentro de uma grande cadeia contínua de entidades que se manifestam no astral, que em uma visão física equivalem às faixas vibracionais e às diferentes frequências. Os servidores estariam em um grau vibracional abaixo do nosso nível mental, nessa cadeia, sendo subordinados à nossa vontade e dependentes da nossa energia.
  • Desenvolvimento: existe também a ideia de que o servidor pode se desenvolver com o tempo e mudar de nível hierárquico. Por medo, culpa, ou por algum tipo de paranoia que transforme o servidor em um inimigo do magista (pedidos não cumpridos, ou extraviados, insatisfação do criador quanto à atuação do servidor), ele poderia ganhar uma energização excessiva e se alimentar do medo que ele percebe estar gerando no usuário de sua energia. Por outro lado, haveria a possibilidade do servidor ganhar reverência, ser recompensado, ser colocado acima de seus usuários como se fosse um deus, ou se tornar conhecido por muitas pessoas e por mais de uma geração humana, e então sua energização hiperbólica o transformaria em algo superior, independente.

Cabe ressaltar que servidores podem ser construídos com base em entidades já existentes, mas neste caso eles não serão aquela entidade propriamente dita, apenas compartilharão aspectos com a mesma. O mesmo se aplica a servidores criados a partir de personagens fictícios ou pessoas que existem ou existiram. O ato de um magista se conectar à energia destas entidades, personagens ou pessoas (e às suas egrégoras) seria vetorialmente diferente da criação de um servidor relacionado a elas.

Alguns Servidores Públicos

Imagem: sigilo de Fotamecus (por Fenwick Rysen).

Imagem: sigilo de Fotamecus (por Fenwick Rysen).

FOTAMECUS

Fotamecus era um sigilo que depois adquiriu consciência e se tornou um servidor. Foram feitas modificações no Sigilo original de modo a torná-lo um servidor viral.

A palavra Fotamecus em si é o sigilo mântrico original a partir do qual foi criado o sigilo gráfico. Além de se concentrar no sigilo gráfico, existe a possibilidade de se focar pela audição entoando o sigilo mântrico “fo-tuh-meh-kus”.

Fotamecus é um servidor que tem como foco manipular a percepção de passagem do tempo. Seus criadores relatam uma situação onde um trecho considerável foi percorrido em 15 minutos em uma viagem de carro. Porém, os autores alertam que, como um efeito colateral, um trecho de tempo posterior foi expandido de 15 minutos para 1 hora. Além disso, os criadores de Fotamecus permitiram que este se duplicasse, portanto cada magista pode criar sua cópia de Fotamecus, mediante um ritual simples de ativação, para que este o acompanhe. Alternativamente, um magista pode solicitar a ajuda de um Fotamecus que já tenha sido criado, que virá até ele para realizar uma atividade pontual, indo embora em seguida.

Imagem: sigilo de Abralas (por Victor Vieira).

Imagem: sigilo de Abralas (por Victor Vieira).

ABRALAS

ABRALAS é um Deus dos Caminhos, uma divindade que trabalha como Facilitador de Fluxos e abrevia as burocracias da vida cotidiana, uma Chave Mestra por excelência. Também chamado de Abridor de Caminhos, um ‘Natura Solvente Universalis’, seu trabalho consiste em mobilizar situações complicadas ou inertes, ordenando-as e as fazendo fluir com maior naturalidade, alcançando o progresso inteligente da melhor forma possível. ABRALAS é um agente sintrópico do universo”.

Como diz o manifesto público do servidor, Abralas, que vem do termo Abre Alas, é uma entidade famosa criada no Brasil, com a inspiração de Ganesha e de seu antecessor Fotamecus (no sentido de produzir algo que ganhasse um status de deus moderno, criado para ser viral), e sua fama nos círculos de Magia do Caos é notável. Com centenas de declarações e agradecimentos públicos, de longe é um dos servidores mais eficazes e famosos atuando no país. Os muitos adeptos de sua função, que realizaram trabalhos pedindo que usasse sua energia para gerar sincronicidades e situações que abrissem seus caminhos, relataram continuamente uma eficácia intraduzível e hoje existe uma lenda e especulação grandes sobre a possibilidade de Abralas ter evoluído de sua condição de servidor simples para uma forma-deus, uma entidade independente e poderosa, com uma atuação muito maior do que aquela para a qual foi conduzido originalmente.

Imagem: sigilo de Niro (por Viggor Indolori).

Imagem: sigilo de Niro (por Viggor Indolori).

NIRO

Niro vem de “onironauta”, que seria um termo para aqueles que trafegam pelos sonhos. Niro é na verdade um psicopompo, um condutor das almas focado no plano astral. Sua especialidade é facilitar o acesso ao inconsciente e também aos planos sutis, de forma que ele atua tanto interna quanto externamente, conciliando a psiquê do magista e trabalhando sua consciência constantemente.
Os efeitos esperados do uso contínuo de Niro são: o aumento da capacidade de se lembrar dos sonhos; a regulação de uma rotina de sono saudável; a manutenção da pineal, de forma a aperfeiçoá-la; e o aumento da taxa de projeções astrais conscientes”.

Outro servidor que vem sendo bastante utilizado nos círculos de Magia do Caos, Niro é relacionado aos sonhos, aparecendo geralmente como um dragão-serpente envolto em nuvens ou como uma escada prateada que leva o magista ao mundo Onírico. Como descrito anteriormente, pode realizar vários efeitos relativos a sonhos e projeções astrais, mas sua atuação busca sempre o bem-estar do utilizador, minimizando-se assim efeitos nocivos ou colaterais.

Imagem: sigilo do Veado de Sete Chifres (por Felix Mecaniotes).

Imagem: sigilo do Veado de Sete Chifres (por Felix Mecaniotes).

O VEADO DE SETE CHIFRES

“Pensando nos riscos, na violência e nos problemas de aceitação enfrentados pela população LGBT, o Círculo da Viada Chama Púrpura decidiu criar um servidor que operasse exatamente nesta esfera, não só nos protegendo de ataques físicos, assim também como ataques psicológicos”.

Como descrito na explicação, o servidor trabalha também na esfera da aceitação de amigos e familiares, conjunção com os ancestrais da Viada Chama e também emponderamento pessoal. Também atua prevenindo o suicídio, que é uma causa muito comum de mortes LGBT no mundo. O Veado de Sete Chifres pode ser energizado ou evocado a qualquer momento, desenhando-se o sigilo mentalmente ou em meio físico.

Os 40 Servidores e os 4 Demônios

Os 40 servidores foram criados pelo magista e artista visual Tommie Kelly, utilizando arquétipos conhecidos pela sociedade contemporânea para obter um conjunto completo e coerente representando o universo Físico, Mental e Espiritual. Neste conjunto de servidores, cada um representa alguns aspectos, e tem seu próprio campo de atuação, sendo que podem ser utilizados para divinação, ou obtenção de objetivos diversos.

Na página do projeto, podem ser encontradas maiores informações sobre os 40 Servidores, assim como um guia de utilização em português.

Imagem: GIF dos 40 servidores, por Tommie Kelly.

Imagem: GIF dos 40 servidores, por Tommie Kelly.

Além dos 40 servidores, Kelly criou 4 demônios que englobam aspectos mais gerais, e possuem área de atuação mais completa, relacionados a Saúde, Riqueza, Felicidade e Sabedoria. De certa forma, estes 4 aspectos se relacionam com os elementos Fogo (a centelha de vida), Terra (os bens materiais), Água (os sentimentos) e Ar (o conhecimento), respectivamente.

TecnoXamanismo e Cybermorfos

No Tecnoxamanismo, um movimento recente que tem realizado oficinas em vários países e angariado entusiastas por todo o mundo, as técnicas e filosofias xamânicas são aliadas à tecnologia para criar rituais, práticas e estudos que se beneficiem de aspectos ancestrais e futurísticos. Uma das práticas é a criação de robôs mimetizando organismos vivos, que podem servir como pequenos familiares. Estes familiares podem ser utilizados, então, como moradas para servidores, sendo sua representação no plano físico.

Imagem: criação de um organismo cibernético que emite sons como um pequeno inseto e se alimenta de energia solar (Oficina BEAM — Organismos Solares).

Imagem: criação de um organismo cibernético que emite sons como um pequeno inseto e se alimenta de energia solar (Oficina BEAM — Organismos Solares).

Um conceito similar é explicado por Peter Carroll em seu livro PsyberMagick, com a denominação de “Cybermorfo”, um corpo físico que pode ser associado a um Servidor ou Eidolon:

“O magista pode criar uma base material para um Cybermorfo de propósito geral (…). O magista pode carregar fisicamente a base material próxima ao seu corpo em todos os momentos (…). O magista pode, por esforço profundo em rituais, fantasia e imaginação, tratar as formas astral e material do Eidolon como sigilos para uma senciência nomeada e semi-autônoma”.

No caso de ser criado um servidor para um propósito específico pelo magista, a ligação entre ele e o servidor seria maior do que utilizando-se uma entidade já existente. Além disso, o corpo material (sendo ele cibernético ou um objeto mais simples) também facilita a conexão entre o magista e a entidade. Dessa forma, os resultados do trabalho mágico são otimizados.

Criação de Servidores

A criação de servidores pode ser realizada por diversos métodos, incluindo adaptações de métodos milenares, ou métodos próprios. Vários fóruns de Magia do Caos descrevem métodos para a criação, incluindo modelos de contratos que permitem limitar a atuação do servidor para os objetivos específicos. Pode ser utilizado, por exemplo, um método análogo aos de sigilização (como os descritos por Carroll, detalhados aqui), inclusive atrelando o servidor a um sigilo que tenha sido criado anteriormente.

Imagem: exemplo de criação de um servidor para auxiliar a fazer sigilos, a partir de um sigilo — por Gabriel Costa.

Imagem: exemplo de criação de um servidor para auxiliar a fazer sigilos, a partir de um sigilo — por Gabriel Costa.

Após a definição da forma que o servidor irá tomar, este deve ser mentalizado, preferencialmente com foco no sigilo ou no objeto físico (se houver) que irá ancorar a entidade. Outra técnica possível é imaginar o servidor andando ao lado do magista, até que esta imaginação se torne tão natural que ocorra automaticamente, sem necessidade de esforço mental — automaticamente, será entendido que o servidor está acompanhando o magista.

Alimentação Energética

A definição da fonte de energia que alimentará o servidor é importante, pois permite seu fortalecimento, e sua obtenção de recursos para realizar as atividades propostas pelo magista. Esta fonte pode ser definida no contrato (se houver), ou pode ser, de forma simples, a própria força de vontade, intenção, ou energia psíquica do magista que criou o servidor.

Alternativamente, a fonte energética pode ser a visualização do sigilo por qualquer pessoa, o agradecimento público após a realização dos objetivos, o uso de velas e incensos, oferendas em geral, ou mesmo energia elétrica, no caso de cybermorfos.

Visualização e Contato

Como mencionado anteriormente, é interessante que a primeira visualização e o primeiro contato com o servidor se deem no momento da criação, para que sua forma seja moldada e seus objetivos fiquem bem definidos. Após este momento, o servidor pode ser enviado para sua morada, ou banido temporariamente, retornando quando for solicitado. Sendo assim, a visualização e o contato se darão por meditação, imaginação ativa, viagem astral, ou outro método à escolha do magista, sempre que o servidor for convocado para um diálogo, ou para realizar nova atividade.

Destruição

Quando um servidor não for mais desejado, pode ser banido permanentemente, ou destruído. Neste caso, o método de destruição também pode ser definido a priori no contrato, mas de forma geral a destruição da morada física ou sigilo, ou ainda a reabsorção pela psiquê do magista, bastariam para sua finalização.

Lembrando que um servidor é uma porção da mente do magista plasmada no mundo externo na forma de uma entidade. Dessa forma, este será apenas tão poderoso quanto o for o próprio magista, e a força de vontade se apresenta como elemento importante para comandar sua atuação. Pela Lei da Correspondência, magista e servidor se tornam indissociáveis (mesmo que isto não seja compreendido de forma consciente) desde o momento da criação.

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