Como sabemos existem 2 ferramentas bem populares no caoísmo: Sigilos e Servos Astrais. No Guia completo sobre Sigilos Mágicos falei sobre uma delas de forma bem detalhada.

Inicialmente os Servos Astrais eram criados pelo próprio magista, mas os Servos Astrais Públicos acabaram se tornando muito populares nos últimos anos depois da viralização dos 40 Servos de Tommie Kelly e a explosão de Servos Públicos aqui no Brasil. Já existiam vários textos sobre eles na biblioteca, mas senti necessidade de fazer mais um para elucidar algumas questões.

Aqui no blog já tinha esse sobre Como se conectar com qualquer servo astral, mas acompanhando comentários e dúvidas nos grupos resolvi escrever esse novo texto, para que seja um guia completo sobre Servos Astrais.

O que são Servos Astrais?

Servos Astrais podem ter os mais diversos conceitos dependendo do sistema, paradigma ou crença que você utilize. Na filosofia da Magia do Caos é convencionado que Servos Astrais são Formas-Pensamento. Diferente dos Sigilos que são apenas a representação de um intento (intenção, desejo), os Servos Astrais são representações de Habilidades, Características ou Arquétipos.

Formas-Pensamentos são literalmente pensamentos que tomaram forma. Os pensamentos em sua mente são apenas sinais elétricos passando por seus neurônios. Quando você coloca esses pensamentos em palavras através da fala ele toma a forma oral. Se escrever esse pesamentos eles tomam forma escrita. Se transformar a ideia geral desse pensamento em um símbolo ele passa a ter uma forma simbólica. Se transformar em uma imagem artística, ela toma a forma dessa imagem. Ou seja, é um pensamento que tomou forma, que é expressável de uma ou mais formas.

Servos Astrais normalmente eram individuais, você fazia um para si, como se fosse um ajudante mágico para seus afazeres. Normalmente o servo astral era criado principalmente para foco e aprendizado de magia. Phil Hine comenta que todo magista deveria ter um servo astral para ser seu ajudante mágico, para que ele te auxiliasse no aprendizado de magia.

[Para entender sobre os variados tipos de entidades mágicas, você pode ler esse ótimo texto: Servidores, definição e métodos.]

Para ficar mais claro como os servos astrais são vistos pela perspectiva da Magia do Caos, vou fazer algumas analogias

Imagine que um servo astral é como um amigo imaginário, mas que não foi criado aleatoriamente, mas sim como se fosse um personagem de RPG. Você faz a ficha de personagem, escolhe as habilidades, escolhe suas características, escolhe os poderes, história, aparência, personalidade, etc.

Também pode ser comparado como um programa de computador. Você escreve o código do programa, para que esse programa realize determinadas tarefas. Ou seja, você cria uma programação específica, e deixa que ela trabalhe de acordo com o que ela foi programada para fazer.

[Esse site, por exemplo, é um hipersigilo, mas pode ser considerado um servo tecnomágico, afinal, além de ter sido criado como hipersigilo, com o intento de ensinar as pessoas a fazer magia, ele foi programado para executar tarefas específicas, como a conexão com servos astrais, uso de servos astrais para energização de intentos e divinação.]

Caso você tenha um paradigma mais místico, pode imaginar que o servo astral é a captura de energias específicas do plano astral, como se você conseguisse organizar qualidades energéticas de outras “dimensões” em um único recipiente, que terá funções específicas. Algumas pessoas criam servos dessa forma, “capturando” eles do plano astral, seja através de meditação, gnose ou sonhos e dão “corpo” a essa forma de energia.

Também pode ser considerado simplesmente como um arquétipo. Os 40 Servos de Tommie, por exemplo, foram criados a partir de arquétipos conhecidos. Ele estudou quais seriam os arquétipos mais comuns do “subconsciente coletivo” e deu forma a eles. Sobre arquétipos você pode saber mais lendo Jung.

A questão da forma

Compreenda que quando utilizo a palavra “forma” quero dizer que ele foi descrito, desenhado, transformado em símbolo, ou ainda, se não tiver saído de sua cabeça, tomou a forma de uma “fixação”, ou de outra personalidade, por exemplo.

Entender a questão da forma “física”, como explicado, é tranquilo, mas existem os “Servos Astrais” que são criados e mantidos na nossa mente, sem forma física, sem que sejam descritos, desenhados ou transformados em símbolos.

Caso você acredite em planos astrais, você pode considerar que está modelando certa energia que você captou em suas viagens pelo astral, em sonhos, em meditações ou quimiognose.

[Por exemplo, ao começar a criar um servo astral eu não escrevo nada sobre ele, sequer penso sobre ele, eu percebo certo comportamento que se diferencia do meu comportamento comum e testo esse comportamento ou modelo de pensamento dentro de minha mente ou em interações sociais, começo a atuar como ele, dar momentos para ele, etc. Eu considero que a forma deles seja a de uma nova personalidade, ou de um arquétipo, mas eles ainda não tem a forma “física”.]

Servos Astrais são entidades sencientes?

O que são entidades sencientes?

Entidades sencientes são aquelas que sabem o que são, e tem compreensão de sua própria existência, além de um certo “livre-arbítrio”. São aqueles que são conscientes de si mesmo.

Portanto: Primariamente não. Servos astrais geralmente, não são sencientes. Geralmente se diz que um servo que se tornou poderoso demais virou uma tulpa, o que quer dizer que ele saiu do controle do seu criador, adquiriu senciência e livre-arbítrio. No entanto há apenas algumas lendas sobre isso.

Mas existe uma questão interessante sobre isso: se no seu paradigma de crenças você acredita que o servo é um ser senciente, que tem vontade própria, etc, então ele agirá dessa forma junto a você. É sempre bom lembrar que a sua realidade funciona de acordo com seu sistema de crenças, portanto se você acreditar que o servo tem consciência, ele agirá como se tivesse.

Essa parte é tão importante que vou repetir: a magia age de acordo com seu sistema de crenças, portanto um servo pode ter um conceito completamente diferente dependendo da pessoa que o criar ou utilizar.

Nos romantizamos muito a questão da senciência, pelo fato de sermos sencientes. Assim achamos que todos os “seres” tem auto-consciência, que qualquer entidade é completamente consciente de si mesma e que tem livre-arbítrio, mas não. Na verdade nem nós humanos temos completo livre-arbítrio como pensamos. Nós seguimos várias programações, seja biológica, química, física, psicológica, social, etc. Servos astrais são bem mais simples, seguem uma programação específica e mesmo que ele seja programado para se tornar senciente, a limitação dele sempre será a limitação da pessoa que o está utilizando.

E essa história de “O que o servo gosta?”

Qualquer pergunta sobre o que o servo acha, gosta ou quer, é uma pergunta que você deve fazer para o próprio servo, ou para si mesmo. Não faz sentido você perguntar para outras pessoas sobre algo que acontece com você. Isso inclusive é um dos maiores obstáculos para os novatos, eles não conseguem compreender que as coisas acontecem dentro de si, e ficam procurando resposta nos outros. Não atoa se frustram, afinal, estão buscando respostas internas nos meios externos.

É possível que você consiga bons resultados apenas copiando o que o coleguinha fez? Sim. Mas ao fazer isso você não terá feito absolutamente nenhuma evolução na área da magia, será apenas um copiador que continuará sendo incapaz de compreender a lógica da magia. Mas tudo bem se você continuar sendo apenas um copiador que vai ficar perguntando “como ativou?” para todo mundo que aparece com um bom resultado. Se copiar do coleguinha funciona para você: Ótimo! Afinal o que importa é a magia funcionar.

Mas se você quiser ser um magista de verdade, então em algum momento você vai ter que começar a fazer seus próprios testes, ter segurança, fazer a magia acontecer por si mesmo, sem precisar que ninguém te leve pela mão. Mas se quiser continuar sendo apenas um usuário de magia, tudo bem, não há regras.

Para deixar claro: Embora os servos públicos tenham se tornado muito populares e tenham sido utilizados como se fossem entidades sencientes, é a sua crença, atenção, intenção e foco que vai definir a forma de utilização do mesmo, seja qual for.

Consideração sobre Servos Astrais sendo utilizados como santos aqui no Brasil

Primeiramente devo dizer que isso algo completamente novo! Não existe precedentes sobre utilização de servos astrais públicos com rituais, liturgia, altares e agradecimentos. Nem com os 40 de Tommie isso aconteceu inicialmente, começou a acontecer somente com a popularização geral de servos públicos aqui no Brasil. No maior grupo estadunidense de Magia do Caos, por exemplo, você não vê nenhum agradecimento público, isso é coisa aqui do Brasil.

A Magia do Caos começou a se popularizar entre pessoas que não tinham estudado absolutamente nada de ocultismo, e quando uma pessoa não conhece sobre nenhum outro sistema mágico o que acontece? Ela segue o sistema a qual ela foi condicionada. E aqui no Brasil, como somos de maioria cristã, primariamente católica, estamos acostumados a tratar entidades como certa reverência, fazendo oferendas e agradecimentos.

Basicamente as pessoas não conseguem se desvencilhar de seu sistema de crença original, então replicam esse sistema dentro da magia. Foi por isso que servos astrais, que deveriam ser apenas ajudantes mágicos, tem sido tratados como santos, a ponto do povo perguntar como se conecta com determinado servo, ou como o alimenta, do que ele gosta, ou até mesmo como se agradece a determinado servo.

Isso nunca existiu dentro da Magia do Caos, isso é um fenômeno tão novo que está sendo estudado em tese de mestrado.

Servos astrais tem forma certa para serem ativados?

Não! Servos astrais podem ser ativados de inúmeras formas, não importa como foi criado e nem importa o que seja dito em sua ficha. O servo astral é uma ideia, e essa ideia pode ser enviada para seu inconsciente de inúmeras formas, tal como descrito aqui em Como se conectar com servos astrais. Da mesma forma como você pode ser conectar com qualquer tipo de arquétipo, ou até mesmo entidades, de várias formas.

Isso depende muito mais de como sua mente e seu sistema de crenças funciona, do que como o “servo” funciona. Tem pessoas que vão conseguir se conectar com servos astrais só de olhar para o seu símbolo, outras só de lerem a ficha, outras fazem só uma meditação simples, ou apenas uma visualização do sigilo, ou desenhar o sigilo, outros apenas ativam a lembrança do servo, alguns se conectam em sonhos, outros precisam de realmente meditar e entrar em gnose. A questão é que a forma de conexão é completamente ligada a você, que está tentando fazer a conexão e não ao servo.

É por isso que muita gente tem recorrido a velas e altares, pois isso faz parte do sistema de crença da pessoa, que é comumente moldado pelo catolicismo ou umbanda. O fato é: Não existe forma certa de se conectar a servos astrais, o que importa é a forma de conexão que funciona para você!

“Ah mais não consigo me conectar!”

Normalmente as pessoas que fazem esse tipo de colocação tentaram se conectar apenas de uma forma, acharam que foi o suficiente e depois ficam mendigando relatos de outras pessoas para ver se conseguem obter segurança o suficiente para fazer a conexão. Tudo bem, o mais comum em nosso mundo são pessoas inseguras, que não conseguem testar por si próprias, estão sempre ansiando por exemplos ou que alguém lhes dê a mão para atravessar a rua. Isso é ok, afinal tudo mundo tem que aprender de alguma forma. Mas o que funciona para uma pessoa não necessariamente vai funcionar para as outras.

Então vou listar aqui, algo que já está listado aqui.

Formas de se conectar com servos astrais:

Lendo a ficha. É possível fazer a conexão apenas lendo a ficha. Mas pelo que eu percebi, isso é uma habilidade de quem já tem experiência com magia. Mas aqui um adendo: Tem gente que “não consegue” fazer a conexão com servo X, mas sequer leu a ficha do servo. É uma coisa impressionante ver comentários do tipo “tentei conectar mas não consegui”, “leu a ficha?”, “não”. Outro grande problema é quando a pessoa lê a ficha, mas não consegue compreender pois simplesmente não tem capacidade de interpretar um texto. Seriosamente, meu povo, quer aprender magia: aprenda a interpretar texto. Normalmente na própria ficha do servo está explicitado a forma de conexão sugerida. Se não tiver tente de alguma das várias formas possíveis. Inclusive lembrando que nesse site já existe a ferramenta de conexão na página de cada servo. Ou seja, se na ficha não está claro, conecte-se da forma que for mais comum para você.

Velas, Altar, Oferendas, etc. Aqui a parte mais nova e “católica” de ativação. Como eu já tinha explicado acima, a galera sai do catolicismo, mas o catolicismo não sai deles. Então começaram a utilizar o mesmo sistema de conexão com santos para se conectar com servos astrais, resultado: altares, velas e oferendas. Funciona? Sim. Afinal o que importa é sua crença. É válido? Sim. É a única forma ou forma mais “correta”? Obviamente não, as formas são inúmeras, a forma certa é a forma que funciona para você. Se essa é a forma que funciona para você, que seja, mas altar, velas e oferendas não são obrigatórios para servos nem para magia do caos em geral.

Lembre-se: A cor da vela só importa se você se importar com a cor da vela. Algumas fichas de servos sugerem cores de vela, você pode seguir ou não, depende de você. O mesmo vale para incensos ou qualquer outra coisa.

Meditando com o símbolo em gnose. Essa é a forma mais tradicional de ativação ou conexão com servos atrais, você medita com o símbolo dele até que você sinta a conexão com o servo astral. Isso pode ser feito através da ferramenta do site, através da simples meditação olhando para o símbolo, visualizando o símbolo em sua tela mental (principalmente antes de dormir, caso você não tenha controle do seu estado de gnose), ou, da forma mais utilizada por magistas do caos: através do orgasmo.

Orgasmo. Basta que você visualize o símbolo e pense em seu intento enquanto estiver naquela ondinha boa do orgasmo. Normalmente ativação por orgasmo é para invocação, ou seja, basta que se visualize o símbolo para invocar as habilidades ou características do servo. Caso seja um pedido, ou seja, evocação, você pode fazer o pedido antes, durante ou na ondinha pós orgasmo, pode ser mentalmente mesmo. O mais importante é a visualização do símbolo, mentalmente ou fisicamente, durante o orgasmo.

Colocar sigilo em local visível. Essa é uma forma simples de conexão, basta você manter o símbolo em algum local visível enquanto estiver trabalhando com o servo, seja em local físico, como no seu quarto, no altar, na tela do computador ou como papel de parede do celular. Isso faz com que o símbolo passe a ser transferido para seu inconsciente gradativamente.

Considerações sobre gnose

Gnose é um dos conceitos mais mal compreendidos para os novatos, que consideram que gnose seja algum tipo de estado mental sobrenatural. Gnose é apenas uma frequência mental em que sua mente consciente está “dormente”. Nós entramos em estado de gnose diversas vezes ao dia sem nem perceber, seja assistindo alguma besteira na televisão sem estar pensando em nada, quando damos aquela viajada na maionese e esquecemos temporariamente do mundo a nosso redor, quando estamos nos preparando para dormir e não passa nada em nossa mente consciente.

Existem inúmeras formas de entrar em gnose, meditação seria a mais indicada, pois você teria o controle do estado, e o orgasmo é a forma mais fácil. O segredo é distrair sua mente consciente, o que pode ser feito com exercícios físicos, uso de substâncias químicas, atenção plena, etc. Todo mundo tem uma forma “natural” de entrar em gnose, como por exemplo ao desenhar, pintar, caminhar, tocar um instrumento ou cantar, escrever poesia, etc. Geralmente a arte é uma boa forma de entrar em gnose, seja qual arte for, cada um tem mais facilidade em alguma área.

Observe que qualquer tipo de ação automática pode ser um gatilho para a gnose. Ações automáticas são as que o corpo pode realizar sem que a gente precise pensar no que está fazendo, como andar, exercitar, lavar vasilha, cantar, etc. Ao focar no que você está fazendo, como nos exercícios de atenção plena, você já está no estado de gnose.

Portanto um bom truque é você perceber qual tipo de forma você entra em gnose, para começar a entender melhor esse estado e então controlá-lo. Você viaja na maionese ouvindo música? Use isso. Ou se sente hipnotizado ao ver a rua pela janela enquanto anda de ônibus? Use isso. Viaja enquanto faz rabiscos aleatórios no caderno? Use isso.

Um momento em que todo mundo entra em gnose é antes de dormir, portanto se você não consegue entrar de nenhuma outra forma, você pode lançar seus intento enquanto espera o sono chegar.

A ferramenta de meditação com símbolo aqui do site foi criada para facilitar a conexão através do estado de gnose, tanto pelo uso da caosfera rodando de forma hipinótica, quanto pelo som binaural que te leva a frequência mental do estado de gnose.

Invocação ou Evocação

Invocação é quando você “incorpora” o servo para usufruir de suas habilidades. Ou seja, caso você queira se tornar mais sexy e melhorar sua auto estima com The Carnal, La Caliente ou Califa, você vai fazer a invocação. Em casos de invocação o intento deve ser feito no momento presente “sou uma pessoa sexy” e você faz a conexão da forma como preferir. Nesse caso o uso de sigilos desenhados no corpo é uma boa opção, como expliquei acima.

Você pode utilizar qualquer um deles por evocação também, nesse caso você fará um pedido ao servo, como se ele fosse te dar aquilo que você quer, nesse caso você literalmente vai fazer o pedido, como por exemplo “Mani, gostaria que você me ajudasse a perder minha barriguinha de chope nos próximos dois meses, vou te oferecer 20 abdominais por dia”.

Praticamente todos os servos podem ser utilizados das duas formas, o que define se é invocação ou evocação é a forma como você constrói seu intento.

No caso de evocação dê um prazo possível. Vejo muita gente dar um prazo curtíssimo para os servos realizarem tarefas complexas, o que acaba gerando ansiedade e frustração. Magia não funciona com desespero ou ansiedade. Se você fez um pedido coloque um prazo possível e pare de ficar focado no intento.

Sobre a alimentação dos servos astrais

Primeiro vou deixar uma coisa bem clara: Alimentação = Atenção = Lembrança.

E isso não é apenas sobre servos astrais, isso é sobre qualquer tipo de entidade, inclusive isso é sobre a vida! Você alimenta a tudo que existe, seja real ou imaginário, com sua atenção. Qualquer servo astral será alimentado pela atenção que você dá a ele. Pode ser apenas lembrando dele várias vezes ao dia, seja colocando ele no seu papel de parede, seja acendendo uma vela para ele, seja fazendo uma oferenda, seja comendo ou bebendo algo em homenagem a ele, ou fazendo um altar para ele, ou falando sobre ele para alguém, desenhando o sigilo dele no corpo, etc, não importa a forma.

Basta você conseguir entender que a atenção tem a ver com a lembrança. Todas as vezes que você lembra do servo você está alimentando o servo, veja que todas as formas citadas acima ativam exatamente a lembrança. Quando você acende uma vela você presta atenção nela, mesmo que não esteja no mesmo ambiente que ela, você sempre lembra que tem uma vela acesa para o servo. Quando você tem o desenho em algum local visível (papel, celular, computador, pulso, etc) você sempre lembra do servo quando vê o símbolo.

Se você quiser se ater a detalhes irrelevantes como “do que o servo gosta?”, tudo bem, afinal é importante usar a própria crença, mesmo que essa crença seja um tanto quanto limitante. Mas no fim das contas alimentação é atenção e atenção é lembrança.

Apesar dessa modinha de servos-santos ter se espalhado, isso de servo gostar de coisa X ou Y é pura invenção, que acabou sendo convencionada e acrescentada à sua ficha ou egrégora. Mas no fim das contas um servo não bebe ou come, não se aquece no fogo ou se importa com cor de vela, o servo se alimenta da sua atenção, seja lá de que forma ela for direcionada. Mas caso você não tenha segurança de alimentá-lo das formas mais variadas possíveis, alimente da forma como é sugerido na ficha.

Alguns servos astrais tem formas de alimentação que fazem parte das habilidades do servo, ou seja, a própria alimentação vai fazer a magia acontecer em você, esse é o caso do Caotizador, ExuZen, Fofurizador, The Alpha, etc. Ou seja, além da lembrança, a alimentação sugerida nesses são parte da magia pois criam movimentos internos em você.

Sobre o contrato

Muitas pessoas tem dúvidas sobre o tal “contrato” de ativação de servidores, mas rola uma confusão sobre a questão. O contrato do servidor é simplesmente a ficha do servidor, ou seja, ao criar o servo astral você faz o “contrato” que basicamente é a descrição das características do servidor e da forma como ele deve funcionar.

No entanto com a popularização de servidores públicos a galera fica procurando sobre esse tal “contrato”, inclusive alguns servidores públicos começaram a aparecer com um modelo de contrato. Então o contrato acabou mudando de conceito, entrando mais no conceito de intento.

Ou seja, se você está criando um servo, o contrato é a ficha dele, se você está se conectando com um servo público, o “contrato” é o intento que você quer atingir com o servidor, isso pode ser feito mentalmente, verbalmente ou por escrito. Basta você deixar claro o que você quer e, caso vá “pagá-lo” pelo serviço prestado, já deixa claro qual será o pagamento. É só uma “formalização” do intento.

Vou repetir aqui só para não ter dúvida: Contrato é você deixar bem claro aquilo que você deseja. Se você for do tipo que alimenta e agradece, deixe também claro a forma como você vai alimentar e como vai “pagar”. Compreende? Vou deixar aqui um exemplo de “contrato”:

Ó grande servidor Compotera, te evoco para que realize meu desejo de que as pessoas que visitem o caotize-se passem a conseguir interpretar textos, de forma que não tenham dúvidas. Ilumine a mente dessas pessoas para que elas consigam compreender aquilo que elas leem. Que a luz da compreensão recaia sobre elas. Agradeço desde já.

Lembrando que essa forma de contrato é para evocações, caso seja invocação não precisa de tanta burocracia, no caso do exemplo acima seria simplesmente “Consigo interpretar textos de forma perfeita”.

Sobre agradecimentos

Mais uma coisa inédita que começou com a popularização de Servos Públicos. Até uns três anos atrás não existia isso de agradecer a servos astrais de forma pública, afinal não eram tratados como se fossem entidades. Mas na medida que os grupos de Magia do Caos começaram a ficar movimentados e os servos públicos começaram a ser usados por muitas pessoas, os agradecimentos públicos começaram a aparecer.

No começo eram apenas relatos sinceros, mas funcionou muito bem para a proliferação de diversos servos astrais e fortalecimento de egrégora, a ponto das pessoas começarem a criar servos em que o agradecimento público faz parte de sua ficha.

O fato é que nem é necessário agradecer os servos, isso é só mais um modus operandi católico sendo aplicado ao caoísmo. Servos astrais foram criados para servir, agora são tratados como entidades super poderosas, e as pessoas agradecem e fazem oferendas.

Como eu sempre digo, o que importa é se funciona. Então não tem nenhum problema em fazer isso, afinal gera bons resultados.

Já que isso virou moda, existem inúmeras formas de agradecer, e, fora o agradecimento público em grupos, que é bem novo, a maioria dos agradecimentos estão baseados no sistema católico ou umbandista, seja acender uma quantidade X de velas, seja com uma penitência, seja com oferendas, incenso, comida, bebida, dança, presentes, etc. Mas tem outros, como fazer uma arte para o servo, um poema, melodia, etc. Pode deixar sua imaginação fluir.

Lembrando que apesar de não ser obrigatório, o agradecimento público dos servos astrais aumenta a egrégora do servo, assim mais pessoas passam a confiar no servo, aumentando a força de realização dos intentos. E agradecimento também é uma forma de alimentação, portanto quanto mais agradecer (não necessariamente de forma pública) mais fortalecida fica a sua conexão com o servo astral.

Sobre banimentos

Como já explicado no Guia sobre banimentos, é sempre bom fazer algum tipo de banimento antes de fazer qualquer tipo de ritual mágico. Com os servos é a mesma coisa, você faz um banimento antes de se conectar com os servos astrais que deseja. Isso vai limpar suas energias para que nenhuma energia negativa atrapalhe na sua conexão com o servo.

Você também pode fazer um banimento geral após o ritual de conexão com o servo, que servirá para que você volte a ficar energeticamente neutro, mas nesse caso você precisa entender algumas coisas.

Se você está invocando o servo, você só vai fazer o banimento da energia daquele servo, quando você não quiser mais manter a conexão com ele. Nesse caso você pode até fazer um banimento geral depois da conexão, mas deve lembrar de não banir a energia do servo.

Se você está fazendo uma evocação não há problema em banir o servo depois do ritual de evocação, pois o ritual de conexão é completo. Ou seja, você fará o pedido, depois limpará as energias do ritual. Caso queira manter a energia do servo enquanto ele estiver trabalhando, você não precisa bani-lo depois de um ritual de evocação, vai bani-lo só quando quiser ou quando o trabalho estiver terminado.

Caso sua evocação seja para causar mal a alguém, ou utilize algum servo que tem energia ruim ou densa (como o La Sombra), o banimento geral após do ritual é sempre recomendado.

Lembrando que estou falando aqui de dois tipos de banimento: Banimento de limpeza energética, como o RGP, que você faz antes de qualquer ritual mágico e serve para limpar suas energia ou energias do local. E o banimento do servo, que você faz quando não quer mais trabalhar com o servo.

O banimento do servo pode estar sugerido na ficha do mesmo, ou você pode fazer qualquer outro tipo de banimento para se desvincular da energia do servo, basta que essa seja a intenção.

O sigilo do servo deve ser queimado quando?

Queimar sigilo é uma forma de ativação possível, ela foi popularizada no grimório dos 40 Servidores de Tommie Kelly como forma de “banimento” de determinadas energias. Alguns servos do Tommie tem características “ruins” como o The DepletedThe Desperate, então ele sugeria que você fizesse um tipo de ritual de banimento da energia representada por aqueles servos.

Por exemplo, se você estivesse desesperado, você baniria esse desespero através da queima do sigilo do Desperate, ou desenhando o sigilo em uma pedra e jogando na água. Ou seja, a técnica sugerida por ele é a de banir a energia representada pelo servidor através da queima do sigilo dele. O mesmo poderia ser feito com outros servos, como banir seu excesso de libido através da queima do sigilo de The Carnal.

Essa técnica também passou a ser utilizada para banir o servo depois que ele estiver feito seu trabalho. Portanto se você está utilizando qualquer servo para um intento específico, e você já atingiu o objetivo e quer banir o servo, você pode se desvincular dele ao queimar seu sigilo.

Mas observe que isso se refere mais a sua intenção do que o ato. Você pode fazer o contrário se quiser, e ativar o servo através da queima de seu sigilo. Isso funciona bem quando você tem um intento de médio e longo prazo e utiliza a técnica de esquecer o intento, tal como descrito na criação de sigilos mágicos. Ou seja, nesse caso você pode ativar seu “contrato” com o servo através da queima de seu sigilo e então esquecer de seu intento.

Só lembre-se que o que vale é a intenção com o que você faz o ato, não o ato em si.

Usando servos de forma orbital

Aqui eu falei um pouco sobre como usar servos de forma orbital para invocação, um resumo:

Utilizando servos como arquétipos e fazendo invocações baseado na simples e pura lembrança

Essa é uma forma que utilizo há muito tempo. Cada servo representa uma habilidade, característica ou arquétipo, ao ver um servo conhecido, você automaticamente já se lembra de suas características ou habilidades, o truque é fazer a invocação no momento da lembrança. Um exemplo bem simples é desenhar o símbolo de The Carnal no pulso e ir para a balada. Toda vez que olhar para o símbolo você se condiciona a se sentir uma pessoa sexy, segura, sedutora. Quanto mais você fizer essa invocação, mais fácil será fazê-la novamente até que não precise de nenhuma ancoragem além da própria lembrança.

Com o ExuZen, por exemplo isso se tornou muito natural para mim, com as ativações são por gesto, nem desenho o sigilo dele, apenas me condicionei a sempre unir as mãos em momentos em que percebo a ansiedade, e a sorrir em momentos de socialização.

Ou seja, basta focar na ideia de que Lembrança = Atenção = Alimentação. Deixando símbolos em locais visíveis, como o pulso, papel de parede do celular, ou inventando gestos. Como você já deve ter percebido a lembrança é uma arma poderosíssima.

Mas e se não for invocação?

A ideia acima funciona muitíssimo bem para invocação, mas como muita gente usa servos como santos, ou seja, evocam e fazem pedidos, a lembrança deixa de ser importante.

Quando você faz um pedido para o servo o mais importante é a ativação do intento, é a hora em que você coloca o intento no seu inconsciente, a hora da evocação. Se você fizer pedidos por evocação o ideal é que o seu intento seja muitíssimo específico: com desejo, forma de acontecer e prazo. E então você “esquece” do intento e nem precisa ficar alimentando o servo.

Por quê?

Por que a ansiedade é um dos maiores obstáculos da magia. Ao fazer um pedido por evocação o servo vai trabalhar junto ao seu inconsciente, mas seu consciente costuma atrapalhar o trabalho do seu inconsciente, portanto é preferível esquecer, mudar de foco, ou simplesmente deixar pra lá. Você pode continuar alimentando o servo da forma como quiser, mas não é necessário.

Lembrando aqui que o esquecimento é uma forma de tirar o intento do seu consciente, se você não consegue esquecer, não tem problema, mas é importante que você não fique ansioso com a realização do intento. Que o intento não fique martelando na sua mente consciente.

Lembrando que isso é para pedidos específicos feitos por evocação.

Caso você não consiga tirar seu intento da cabeça o ideal é que você trabalhe com invocação. Dessa forma sua lembrança vai trabalhar em seu favor. Por exemplo, ao trabalhar com o Prospera por invocação o intento seria algo do tipo “Sou uma pessoa próspera e o dinheiro chega até mim sem obstáculos”.

Sobre a questão da Lua

Uma das dúvidas que aparecem de vez em quando é sobre as fazes da lua. Alguns servos tem especificado em sua ficha em qual lua devem ser ativados, ou quais luas de preferência, mas a maioria não tem especificação sobre isso. A questão é que seguir ou não a lua depende unicamente de você! Se você tem uma relação com a lua então siga a lua do servo, ou siga a tabela da lua baseado no seu intento. Se você não sabe as características das fases da lua isso quer dizer que você não se importa com isso, portanto não faz diferença.

Qualquer servo pode ser ativado em qualquer momento, se não se sentir seguro com isso, então siga a risca a ficha do servo ou as fases da lua. Mesmo para servos que tem uma lua especificada você só segue se quiser, se achar que importa, se precisar disso para dar segurança a sua magia.

Sobre ativar vários servos ao mesmo tempo

Você pode ativar quantos servos quiser (ou aguentar). Isso depende unicamente de você e da quantidade de energia que você possui para alimentá-los.

Caso você vá ativar vários para o mesmo intento você pode ativá-los todos de uma vez numa mesma sessão de gnose, ou de uma das variadas formas que você leu lá em cima. Basta que todos eles estejam em seu campo de visão, físico ou mental. Mas o intento será o mesmo para todos.

Caso você não tenha experiência ou energia para ativar muitos ao mesmo tempo, sugiro que você use um intento levemente diferente para cada servo, observando as habilidades de cada um, e os ative separadamente. Assim todos vão trabalhar no mesmo intento, de forma separada, abrangendo mais opções.

Um bom truque é fazer invocação caso vá ativá-los todos juntos, e evocação caso vá ativá-los separadamente. (Mas é só uma dica, não é obrigatório.)

Exemplo: Se vou ativar para ganhar dinheiro e usar Abralas, The Fortunate e The Headhunter, poderia ativá-los todos ao mesmo tempo, com os três símbolos no meu campo de visão e um intento do tipo “O dinheiro chega até mim sem obstáculos” (intento de invocação). Se eu for ativá-los de forma separada, vou criar um intento para cada um “Ó Abralas, abra os caminhos para que o dinheiro chegue até mim”, “Ó Afortunada, me dê sorte e prosperidade para que eu ganhe dinheiro”, “Ó The Headhunter, me ajude a arrumar um bom emprego” (intentos de evocação).

Caso vá utilizar vários servos, para intentos diferentes o ideal é que você ative separado por intento. Por exemplo, se tem um grupo que é para amor e outro para dinheiro, ative em dias separados, pois cada dia seu inconsciente estará absorvendo um tipo de informação, e seu cérebro estará gastando energia em um foco. A não ser que você seja um magista experiente é sempre bom dar um tempo de pelo menos um dia para cada intento diferente que você for ativar.

Dica ninja: Você pode utilizar o Energizador de Sigilos para ativar vários servos ao mesmo tempo, para um mesmo intento.

Conclusão

Servos astrais podem ser conceituados de diversas formas, o que importa é a forma como você acredita que eles funcionem. Se sua crença é de que eles são entidades externas, então os utilize dessa forma. Se sua crença é de que eles são representações de ideias, ou arquétipos, utilize dessa forma. Se você está limitado a utilizar servos astrais como se fossem santos católicos, então utilize como se fossem santos católicos, não tem problema, afinal o que importa é que funcione.

Caso você queira apenas usufruir dos servos e não se interessa pelo caminho da magia, apenas utilize da forma que for mais conveniente para você. Caso queira trilhar o caminho da magia, o ideal é você testar o máximo de possibilidades. Como vê existem inúmeras formas de conexão listadas aqui, mas você pode criar outras formas também. Acima de tudo passe a seguir sua própria intuição.

Apesar do funcionamento da mente humana ser muito parecido, o mecanismo de crença de cada um podem ser completamente diferente de uma pessoa para outra, portanto não é por que funcionou de uma forma para uma pessoa, que vai funcionar para você. É importante que você se entenda e descubra quais são as formas mais eficientes para você fazer a magia acontecer.